Mostrando postagens com marcador Poesia 2018. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Poesia 2018. Mostrar todas as postagens

quarta-feira, 19 de dezembro de 2018

na cidade

os meus sentidos captam derrocadas
coisas ausentes tornam contrariadas
troncos em technicolor
arremedam na minha direção
com seus olhos de cachalote pardo de bruto peso
gritam para  abandonar a estrada onde parei
cativa de um pensamento retorcido e esbracejante
medo de ser, de ter esquecido, de não ter pensado
de me trair quase sempre.
modos de circuncisar as minhas ousadias
são-me estranhos e familiares
quando dou passos na cidade, os pássaros digladiam
em ângulos retos com os semáforos são oráculos
os pedaços de betão carcomidos de humidade e risonho
( julgo risonhos) chilreados avisam-me sem tino de um apocalipse eminente.
Assim dou conta de que a vida me expulsa
para o canto das coisas sem serventia,
das que atrapalham.
Comboios a alta velocidade apitam
quando verso a verso descarrila
o não sentido de um organismo lento
numa cesariana às escuras

sexta-feira, 14 de julho de 2017





A vertente narrativa dos teus versos

desemboca no indecifável
quadrado
mas é poroso o espaço textil 
do pensamento.
Não é que fosse a primeira vez
mas era sempre nova
a sequência nauseante
tu, espaço, eu, espaço
multiplicado pela distãncia
da hipotenusa do nós
figuras boquiabertas
avançando à velocidade da luz.

Não te largo assim e nunca te largarei
 sendo que te levo comigo para onde não quiser
para onde tu disseres.