
Chéri é um filme belo (pensei que este atributo da beleza fosse negligenciável e demodée mas não é, não é). Há o décor (as palavras francesas surgem em catadupa não fora o original francês, por causa dele e da sua influência certamente), perfeito no tom, na simbologia, no timing, lacónico, indiferente e subterraneamente trágico. Os actores, a Pfeiffer está por lá, com as pérolas e aquele olhar meio condescendente meio triste, meio irónico, só dela e do meu fanatismo por "olho azul " ele mesmo, exultante. o outro, amado, com uma fragilidade entontecedora própria dos amados, dos amantes ou dos que nada sabem e sentem, sentem. A Colette sabia do amor porque a história continua hoje, debaixo da pele ou encrostada no sonho de amor que todos trazemos do berço. A vida ergue-se em bicos de pés surpresa e cai, amarrota-se, engana-se.
Ps: O Expresso tem uma crítica e uns críticos imbecis, lavavam para já os olhos e depois talvez fosse bom atirarem-se ao rio, para exercitar o fôlego.
















