hoje quero falar e calar-me à vez,ainda não decidi que parte quero calar ou qual é a que quero falar, fala-se muito, em todo o lado mas por via indirecta. fala-se para um microfone, escreve-se por aí fora, dão-se opiniões e conta-se tudo, mostra-se tudo explica-se quase tudo. as palavras correm umas atrás das outras inflectidas ou monótonas, digo o que me vai na alma e quando digo já parece não estar em lado nenhum. mas apesar de toda esta euforia não é o discurso que conta, em boa verdade o discurso conta pouco, talvez por ser tão cómodo e fácil falar numa sociedade onde se permite que tudo seja dito. nada então nos choca ou faz estremecer. mesmo o mais imbecil e desinteressante dos seres tem o seu momento de visibilidade cósmica, debita qualquer coisa no écran por onde passam milhares de outros fumando ou bebendo cerveja. COMUNICAÇÃO. barra a queda para deixar ir dizendo, dizendo, não parar de dizer. pois se calar é assumir a verdade da coisa: Nada temos verdadeiramente novo para dizer.mas afinal não é este solilóquio senão uma questão de inveja. pergunto-me invejosamente: como é possível um blog como o do Bruno Nogueira ter mais de 2.000 leitores por dia? é muita gente, caramba, que procuram esses tipos todos? aquele ar tá-se bem, aquela coisa dada à brincadeira negligé. é mesmo misterioso isto.
















