

Fui ver de novo a Companhia Maior mas, confesso, a chama perdeu-se. Os mais velhos, com suas vidas pesadas, o circo das rugas, aquele dramatismo poético da peça da Calle, não existe mais, em sua substituição temos uma futilidade espaventosa, uma soma de lugares comuns de pecinha de texto, nada que nos faça estremecer. A história tem graça (escrita em 1956 por Friedrich Dürrenmatt retrata a ascenção do capital e com ele a queda dos valores, lembra um pouco, no tema, a irresistível ascenção de Arturo UI) mas o espectáculo, mesmo com os músculos sado masoque dos mancebos, não tem nenhuma.
Valeu a noite pelo S. Luís, magnífica sala, e pela observação impúdica do estado drunfado da Clara Pinto Correia, escritora que admiro. O guarda roupa da Maria João Luís não está mal. Aliás o guarda-roupa é o melhor da peça.
No ano do meu nascimento, (que vou negar à curiosidade dos dois leitores que se podem dar ao trabalho de ler esta mal amanhada prosa), a Amélia Rey Colaço representou-a, à Velha Senhora. Vi fotografias, porque nessa altura não tinha idade para palcos, e, noto, que há dois factores que o encenador Nuno Cardoso, com aquela mania de bonitinho e vanguardista, se esqueceu ou não percebeu (acho que foi mais a segunda). O primeiro é a idade da protagonista, a velha Erínia da vingança: Maria João Luís nunca será uma velha senhora e, muito menos uma velha Erínia da vingança. Esta Erínia parece-se com uma Catwomen com cio. Quanto aos mais velhos fazem parte do décor, quando deviam ser uma espécie de coro, porque este texto pretende ser uma aproximação à tragédia. Resumo então a coisa em duas palavras: Pretensiosismo e pouca cultura teatral. Este puto recebeu uma pipa de massa para fazer isto!! Bendita Calle com seus nus apocalípticos!













