sábado, 23 de maio de 2015
Actrizes em estado superlativo.rectificado
Rectificação: depois de ter visto o filme com mais atenção, concluo que, verdadeiramente, não gostei. O argumento é pobre, os diálogos são repetitivos, há uma frase que a Binoche repete pelo menos cinco vezes ao ponto de se tornar insuportável e de manchar toda a cena: "Já fui Sigried não quero ser Helena". Ok já toda a gente percebeu, é uma repetição que envergonha os espectadores e os actores porque os toma por vazios e distraídos. A Binoche é boa, esforça-se, mas sem um texto à altura, um argumento e uma realização talentosa, não há talento que resista. Acaba também ela por não resistir às carinhas e a ver-se de fora, ou seja, roçar o cabotinismo. O Assayas devia dedicar-se à pesca do salmão nos rápidos australianos ou então alguém de boa vontade dizer-lhe (ele está cheio de vento de génio!!) que não basta uma paisagem bonita e duas actrizes talentosas para fazer um bom filme, (embora seja difícil não o fazer, o que prova que ele fez o mais difícil). Conselho: não tocar música pimba com Stradivarius, Quanto à Stewart já o sabia do primeiro momento dos vampiros, tem uma espontaneidade desconcertante mas precisa de ser dirigida senão é um bloco, isto é, precisa limar, tornar-se mais expressiva e isso aprende-se há directores que fazem isso muito bem, o Allen, por exemplo. É tudo, tenham uma boa semana no néon.
quarta-feira, 20 de maio de 2015
aviação a tinta
Com a mesma caneta
traço o juízo e o verso
da mão verdadeira passo a vau
para a ordem monástica
auto dirigindo-me sob as placas tectónicas
desta frivolice
do império do meio
frigoríficos, é tudo
Passo a vau
encravo a caneta entre o indicador e o polegar
acerto no caderno
vigiando pelo olho fechado
a cabine
onde um piloto de unhas partidas
revolve mentalmente a última entoação
domingo, 3 de maio de 2015
Princesa
Acho que travessámos várias vezes a mesma cidade
pareceu-me ouvir o mesmo latido de cão raivoso em cada esquina
Reparei no zumbido da abelha a andar em círculos
Atravessámos várias vezes a cidade mas nossas órbitas eram
grandes massas coloridas de natureza silenciosa ou ruidosa
éramos duas pequenas orcas e o nosso submarino um caudal de peixes rosa
no geral perguntávamos tanto e a pergunta era uma tecla gasta
de uma curiosa e pesada máquina
atravessámos quantas vezes a cidade?
Tantas quantas a resistência do olhar
permitir
Tu trespassavas a membrana opaca
deste ser inclinado para a catástrofe
Ias a correr comigo a um SOS e a tua mão
lembrava-me lareiras acesas
Eu contigo deslizo para fora de mim ainda sem saber
e com custos elevados inicio a surpresa
de me encontrar a sós com o teu corpo
pareceu-me ouvir o mesmo latido de cão raivoso em cada esquina
Reparei no zumbido da abelha a andar em círculos
Atravessámos várias vezes a cidade mas nossas órbitas eram
grandes massas coloridas de natureza silenciosa ou ruidosa
éramos duas pequenas orcas e o nosso submarino um caudal de peixes rosa
no geral perguntávamos tanto e a pergunta era uma tecla gasta
de uma curiosa e pesada máquina
atravessámos quantas vezes a cidade?
Tantas quantas a resistência do olhar
permitir
Tu trespassavas a membrana opaca
deste ser inclinado para a catástrofe
Ias a correr comigo a um SOS e a tua mão
lembrava-me lareiras acesas
Eu contigo deslizo para fora de mim ainda sem saber
e com custos elevados inicio a surpresa
de me encontrar a sós com o teu corpo
quarta-feira, 29 de abril de 2015
fugas
Queria a sirene ainda
ou o repuxo no parque
cirandar
a qualquer hora
em qualquer destes termos
ao redor de ti
voltar à cave onde os círios escrevem
a aleatória saga
do coração
seguindo o fio de prumo
da carne amarrotada
do sangue remexido.
Bolinar no confuso corte da dor
no seu borbulhar atento
ao peito
apear
deitar a toalha ao chão
gladiador de sombras
na boca ainda seca do dragão.
Fugir ao rescaldo
cirandar
perder peso
misturar-se ao pó da arena
e aparecer por dentro
do orifício do medo
sendo ainda quem não vês
quem só fintas
pedes-me a aurora
dou-te a liça ardente
o particípio presente de um ser biológico
a conjugar verbos transitivos.
ou o repuxo no parque
cirandar
a qualquer hora
em qualquer destes termos
ao redor de ti
voltar à cave onde os círios escrevem
a aleatória saga
do coração
seguindo o fio de prumo
da carne amarrotada
do sangue remexido.
Bolinar no confuso corte da dor
no seu borbulhar atento
ao peito
apear
deitar a toalha ao chão
gladiador de sombras
na boca ainda seca do dragão.
Fugir ao rescaldo
cirandar
perder peso
misturar-se ao pó da arena
e aparecer por dentro
do orifício do medo
sendo ainda quem não vês
quem só fintas
pedes-me a aurora
dou-te a liça ardente
o particípio presente de um ser biológico
a conjugar verbos transitivos.
segunda-feira, 13 de abril de 2015
Proust e o sindicalismo militante.
Quem disse que Proust é Proust?
resumo do que oiço:
Proust é moço para não resolver a equação
que o faz ser outro
quando cobiçado pela fortuna
consta que sofria dos artelhos
mas as suas calças engomadas desmentem.
Proust rei imaginário
posto por graça no seu trono de letras
invade sem querer os nossos corações de ostra.
Proust ninguém
o súbdito fugido da taça estendida
consentiu em lambê-la
embora não haja testemunhas.
Serdiagem com referência a benzura
mágica pena no circo das letras
que é já pó de arquivo
não sei onde colocar-te Proust se em baixo à direita
entre deuses ou à secretária
a beijar os pulsos de uma Salomé ressequida
ou amedrontado pelo uso continuado
do quarto escuro
resumo do que oiço:
Proust é moço para não resolver a equação
que o faz ser outro
quando cobiçado pela fortuna
consta que sofria dos artelhos
mas as suas calças engomadas desmentem.
Proust rei imaginário
posto por graça no seu trono de letras
invade sem querer os nossos corações de ostra.
Proust ninguém
o súbdito fugido da taça estendida
consentiu em lambê-la
embora não haja testemunhas.
Serdiagem com referência a benzura
mágica pena no circo das letras
que é já pó de arquivo
não sei onde colocar-te Proust se em baixo à direita
entre deuses ou à secretária
a beijar os pulsos de uma Salomé ressequida
ou amedrontado pelo uso continuado
do quarto escuro
terça-feira, 31 de março de 2015
sábado, 28 de março de 2015
Ode ao silêncio impuro
Ordena-se
imediata libertação do silêncio impuro
colocado por cardeal lerdo
na masmorra ociosa da moral
A ordem, a ter efeito imediato
manda
desconfiar, depenar e discordar dos puros
estes identificam-se pelos pés
caminham e falam em bicos de pés
Bicos de pés são partes minúsculas
invisíveis a olho nu
mas capazes de produzir grandes dores
a quem não possui tal bico
em virtude de nascimento ou credo
ou sei lá, duma cabala tonta
Anjos e outra espécie de faunas aladas
almas, sentimentos, e propaganda
serão doravante colocados no shake
misturados e depois de batidos
engolidos com rigor
um gole de cada vez,
para facilitar a digestão
toda a pureza é indigesta)
e provoca amiúde erupções da bílis
mas uma boa tarde de sono
uma acendalha no fogo
seguida de um rápido soluço
consumarão a proteína
Doravante todo o silêncio será impuro
a palavra também
embora se possa assinalar
bem no fundo do seu arrazoado persistente
a secreta fagulha emigrante no sangue
de uma brincadeira em que todos trocaram de baloiço
e vêm para o campo a rir
segunda-feira, 23 de março de 2015
Salafrária
Volto, volto sempre, a pairar
micrólito do ar parado
regendo a imensa falha desta mó
volto, volto sempre,
entre a bruma e a claridade
Apareço gesticulo
sou ovípara na cidade
o teu cabelo louro, em caracóis
a cega espada do meu peito incandescente
Logo, na canseira e no embuste
abrirei o livro, farei o resumo da matéria
sucumbirei dardo pesado
ao redor do juízo
antes, depois
logo a seguir
interrupção estendida
recomeçando
ser desfocado entre abertas asas feridas
consumo do silêncio
rigor da chibatada sobre o ventre
aquele árido ventre separado
Volto, assim mesmo, acertada
sob um nome falso
sob nenhum nome
sob um céu de chumbo
branqueada
micrólito do ar parado
regendo a imensa falha desta mó
volto, volto sempre,
entre a bruma e a claridade
Apareço gesticulo
sou ovípara na cidade
o teu cabelo louro, em caracóis
a cega espada do meu peito incandescente
Logo, na canseira e no embuste
abrirei o livro, farei o resumo da matéria
sucumbirei dardo pesado
ao redor do juízo
antes, depois
logo a seguir
interrupção estendida
recomeçando
ser desfocado entre abertas asas feridas
consumo do silêncio
rigor da chibatada sobre o ventre
aquele árido ventre separado
Volto, assim mesmo, acertada
sob um nome falso
sob nenhum nome
sob um céu de chumbo
branqueada
domingo, 22 de março de 2015
poesia: a máquina delirante da dedada cósmica
DEDILHANDO
se eu quisesse fazer poesia
era o serviço do meu dia a 21 seria
mas anoto a letra miúda
do calendário escolar
hoje não é dia de poetar
ao virar a página encontro
outros dias pequenos conto
em nenhum me poderia prestar
o ofício ou arte de poetar
se fosse mais tarde ou cedo talvez
no campo ou no mar em vez
de me ter esquecido a medo
pudesse despertar de novo o credo
mas terei de constatar
que apesar de disposição e do verbo
acabei por me atrasar
escrevinho um soneto cego?
não, hoje não é dia de poetar
se eu quisesse fazer poesia
era o serviço do meu dia a 21 seria
mas anoto a letra miúda
do calendário escolar
hoje não é dia de poetar
ao virar a página encontro
outros dias pequenos conto
em nenhum me poderia prestar
o ofício ou arte de poetar
se fosse mais tarde ou cedo talvez
no campo ou no mar em vez
de me ter esquecido a medo
pudesse despertar de novo o credo
mas terei de constatar
que apesar de disposição e do verbo
acabei por me atrasar
escrevinho um soneto cego?
não, hoje não é dia de poetar
terça-feira, 3 de março de 2015
quinta-feira, 29 de janeiro de 2015
auschwitz
A Rússia é um país autoritário e musculado, eufemismos de tirânico, mas foi a Rússia, sobretudo a URSS, que bateu a Alemanha nazi, à custa do sacrifício de 20 milhões de russos (os mais massacrados da história da II Guerra). Pretender que isso não existiu é mau. Sermos tão amiguinhos dos alemães que nos cobram mundos e fundos pela dívida quando a deles, depois da quantidade de inocentes assassinados, ficou por saldar, é injusto. A Europa pagou. Excluir a Rússia, que libertou Auschwitz, das comemorações dos 70 anos da sua libertação é como comemorar o 25 de Abril sem os capitães. É dar um pontapé nas costas da história. Não fica bem. É ingratidão. Continuamos sem ter aprendido nada, as imagens horrendas não são suficientes para unir os povos.
quinta-feira, 8 de janeiro de 2015
Charlie Hebdo
Oliver Jaffers
O que temos agora no Ocidente são assassinos que sob o pretexto religioso têm cobertura mediática, trata-se de gente que assassinaria a troco de nada, deviam ter sido postos a coleira e malga de água e não perder mais palavras.
terça-feira, 30 de dezembro de 2014
BORDERLINE
Lee Miller
acho que vou escrever. aporética escrita em balanço tribal. vou pôr no caldeirão uma pitada de saudade e outra de humanidade, algum ressentimento, não tenho medo das palavras feias, nem das outras, corriqueiras, como, fiz bacalhau cozido e vagueei pela casa poeirenta à procura do último pai natal de chocolate. serventia de astros os meus tornozelos de condessa com papelotes de urso das cavernas. arrumei a gabardine e pus no prego alguma da emoção esvoaçante dos últimos dias. Dezembro era, por esta altura, um mês dado ao edredon e à falange das filosofias perfiladas num estendal de papeis, les raisonements em pedaços, os meus pés eriçados de frio no chão áspero da cozinha testemunhavam a aflição. malditos "raisonements", antes Paris, à la Bastilhe!! renunciei em definitivo aos copos de leite e ao acre das bebidas fortes, assoei-me ao papel de embrulho enquanto a caneta escorregava pelo sono como uma lança escorrega do cinto lasso.
chamo-te a mim nestas ocasiões e em todas as outras em que o fim era um começo branco e a tua boca adormecia na minha para juntas calarmos a fé do corpo e a majestade dos ossos. atrevia-me a ver-nos regar as flores de uma varanda dada ao mar e às ociosidades cinéfilas, onde o sol, as gaivotas e as meias de lã bordavam a sequência dos dias.
chamo-te a mim nestas ocasiões e em todas as outras em que o fim era um começo branco e a tua boca adormecia na minha para juntas calarmos a fé do corpo e a majestade dos ossos. atrevia-me a ver-nos regar as flores de uma varanda dada ao mar e às ociosidades cinéfilas, onde o sol, as gaivotas e as meias de lã bordavam a sequência dos dias.
terça-feira, 23 de dezembro de 2014
Nataleeeee
Sabine Weiss
Sinceramente, irrita-me o capitalismo, o conceito e a prática, suspeito que esta irritação, muito à flor da pele, não possa ser transformada em força libertadora, não penso iniciar qualquer novo sistema, nem juntar-me a essas poeirentas aldeias onde se vive em comunidade e na paz sem desperdício, a ideia de viver comunitariamente não me agrada nada, não me apetece aquele "nós" dos projectos colectivos. Tenho a certeza que não estou só nesta irritação, muitos dos ocupados na consumação sacrificial dos centros comerciais, rejubilam de ódio contra o capitalismo, parece o eterno odiado pai, amado e odiado mas imprescindível. A ser modelo deixa-nos abandonados às nossas congeminações, não nos pune por isso, também não nos faz sentir melhores. Enfim, estava pensando nos malefícios tóxicos deste Natal mas agora lembrei-me da história, a história enfraquecida pela repetição: é preciso encontrar nos nossos corações o amor, ou fingir que o encontramos. Descobri então o meu coração no lugar certo, sei onde está, basta-me. Desejo.o a todos, mantenham o coração em algum lugar fora do peito.
Bom Natal!!!
terça-feira, 14 de outubro de 2014
Aquário: Hannah Arendt entrevistada por Roger Errera (1973)...
Aquário: Hannah Arendt entrevistada por Roger Errera (1973)...: Arendt e a força dialogante da sua reflexão: A comédia trata de uma forma mais séria o sofrimento humano que a tragédia. Ficamos ofendidos com o riso, mas Eichmann é um palhaço e é um carrasco. Faria hoje 108 anos.
domingo, 12 de outubro de 2014
o nome da rosa
Como te chamas Rosa?
esta pergunta substitui na minha mente
ocre o que não devia. rosa. qualquer coisa
a meio
A cerveja sobre a mesa um início
qualquer coisa
rosa
o teu bigode na minha fonte de mel
a pauta e o cinzel
essas austeras presenças imaginadas
sobre um corcel ferido
cintilam como sobrancelhas falsas
Tu não podes imaginar rosa
mas estes tempos serão iguais a outros
tempos de betume e sede
trautearemos músicas de treta
os carros estarão sempre presentes
como os dias quentes
ouviremos as patinhas ainda jovens dos animais selvagens
escapar sobre o pelo áspero do papel
onde a tinta continua a traçar o sonho mole das letras
quarta-feira, 8 de outubro de 2014
Ligação directa
Andei repisando a faixa móbil de um desespero
sem trinco
camada de gafanhotos cegos
zumbindo
fiz ligação directa
até à terra inteira e a Deus
sem mediação
sem passar por este ou aquele
tentei universos galáxias
mas sendo que nenhum dos inertes aprofundou
o teorema antigo que me vincava a testa
retirei.me à esfera
Oh sequestrados do sonho!
bramia o estilete verbal da Natália
mas tinha comido ostras
lambido os dedos
atirado as espinhas para longe
(que mais me restaria?-disse)
a dor ciática a lembrança vaga
num ar de toilette inacabado
e a foice
Fiz ligação directa
ao colo de flores brandas
de palavras abertas no orvalho.
Ofelizei-me até o rio dar duas voltas e entrar-me nas lágrimas
como uma mecha acesa.
domingo, 28 de setembro de 2014
Diatribes
II
Vi Bishop deslumbrar-se.
Furiosa virgem aterrada
Sobre a nobre paisagem do sul,
a paisagem das carcaças crianças
que remedeiam a pobreza com a alegria.
Vi-a desperdiçar o mundo por uma frase,
mas qualquer lágrima vale mais
que um magnífico tratado de ergonomia sentimental.
Tomamos sempre partido pelos que sofrem.
Arrogância talvez futurologia
Consignada à assinatura autoral
Bebo-te Bishop.
Alimento-me dos ácaros da tua roupa
Da linha escura entre a unha alada
E o sabugo
Alimento meu corpo fidalgo
meu corpo ritmo de samba
meu corpo ritmo de samba
Adiado
na história da tua imaculada concepção.
Também em ti houve o milagre
Sem sémen
da concepção virgem.
O rio não pára.
São assim mesmo as regras
Da narrativa
III
Atiro-te a primeira pedra
Poderás ripostar
Andei de marcha atrás na estrada recta
Até te avistar
nua ou ensonada
nua ou ensonada
na cama pomba onde muitos espreitaram
mas nenhum rolou a carne em sangue
sobre os lençóis muralhas
sobre os lençóis muralhas
Tu aí, ensonada ou nua
Tanto faz
Abrindo a boca rosa
Sobre a arcaica humanidade de pinóquios falantes
(Senhor, livrai-nos do mal das palavras!)
Tu
Ensonada ou nua
Tanto faz
Sobre a mágoa do meu corpo
Caminhando sobre as águas
Tu em mim sobre mim
Ou nós ou eu só
sobre as águas.
ainda sem nome
Interpreta-me mal
Eu não consigo respirar sem o traço limpo da esperança
Entendo que cada uma das frases já feriu de morte uma dor
E voltou a feri-la por a ter esquecido ou ignorado
Somos culpados mesmo do esquecimento, vê
sempre foi uma disposição
aceitar que a água não pode lavar
Nem o esquecimento apagar.
Caminho onde há guerra.
Caminho onde a guerra começou.
Primeiro o desentendimento preparou tisanas,
depois, serras de arame.
Deus nos livre de pensar
Encontrar a liberdade plana
De uma frase abandonada
Uma que caiu entre
tantas
e do chão testemunhou
O dilúvio do sentido
talhar,
madrugada dentro,
tábuas de uma ponte
que nunca concluiu
sexta-feira, 4 de julho de 2014
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