domingo, 5 de julho de 2015
cinema
Volto às Nuvens de Sils Maria, à cobra do tempo sobre o rosto, como as nuvens no vale de Sils Maria e, não sei se por causa das legendas acrescentarem entendimento aos diálogos- ver na versão original em Inglês acaba por ser frustrante, o som, a dicção e os meus medíocres conhecimentos da língua, deixam-me meia cega - seja por me ter sentado na sala escura de um cinema, o écran, a intimidade com o filme, surpreendi-me a descobrir uma nova morfologia nos corpos e nas falas. Amei o filme, devagar, amei-o em cada cena, amei-o em cada pormenor e sobretudo amei a representação da Binoche. as razões, vou precisar de tempo para as digerir, por agora "Je lève mon chapeau!," amo de morte os actores, amo a sua vaidade e a sua fraqueza e amo de morte a capacidade do cinema, a sua resistência à Internet, como um velho sábio moribundo crivado de setas dos pokemons das crianças traquinas. Voilá!
terça-feira, 30 de junho de 2015
submissões
Hannah Arendt e a sua obra conseguiram um protagonismo evidente no século XX, maior que o seu contemporâneo Heidegger, no entanto é um fenómeno recente. Nos anos 80 ninguém falava dela nos corredores largos da Faculdade de Letras, e o seu mestre era seguido por um grupo considerável de alunos investidos da sua linguagem "poética". O que se terá passado em 30 anos? O que mudou? Na minha opinião mudou a forma de encarar a Filosofia, a complexidade hermética e a simplicidade acessível das obras de ambos faz a diferença; o declínio sobejamente conhecido de Heidegger enquanto colaborador e admirador nazi podem ter com o tempo pesado na sua leitura, de facto o retrato que dele faço é absolutamente repelente,como pessoa e carácter era de um egotismo e de uma megalomania insuportáveis. A verdade é que a sua discípula, sua fiel admiradora e, julgo, sua amante, nos primeiros tempos física e depois intelectual, mesmo reconhecendo as suas falhas de carácter atenuadas como erros, nunca deixou de ser espectadora fiel desse mesmo egotismo exacerbado. Ela cuja obra suplanta hoje a do mestre em actualidade e em poder explicativo,nunca deixou de ser submissa, nessa aceitação sem restrições de um poder idealizado corporizado na figura do ex-amante que não cessava por carta de se auto elogiar. Curioso o papel do amor. Parece justificar plenamente relações de poder, injustas, e torna até inadequadas as categorias morais. Todavia há um modelo de relação que uma vez instituído parece incapaz de mudar mesmo que as pessoas já não sejam as mesmas, Curioso também compreender que a coragem intelectual de Arendt, a sua proclamada independência de espírito, não era uma qualidade constante mas tinha profundas e inexplicáveis excepções.
sexta-feira, 26 de junho de 2015
sábado, 20 de junho de 2015
se os vampiros falassem
Antes de existir o Vampiro estilizado com gel no cabelo e lindas intenções (tédio!!);antes dos Vampiros serem fantasias mal engendradas numa sociedade de consumo especialista na proliferação de imagens estereotipadas (UF!!), antes da idade do degelo e das alterações climáticas, dos live aids, e do telemóvel, ( soa mal telemóvel!), antes mesmo de ser computador, e conjuntura electrónica, a minha iniciação literária começou com Vampiros de papel, livros pequenos que se podem pegar com a palma da mão aberta, cores fortes na capa e histórias de crimes pensados por criminosos requintados, ou crimes requintados dados a criminosos pensados. Eles foram a causa de me ter tornado comunista por um par de meses, por gostar demais de ler aquelas histórias e não ter dinheiro para as comprar. Hoje passado o tempo dos empréstimos, já proprietária assumida, acordam-me ou adormecem-me ao correr do fio dos suspeitos, os seus avanços e recuos, as pistas e os pormenores reveladores até à vitória final. O desenlace, saber quem é o criminoso é gozo menor quando comparado com o gozo de deixar o detective imaginário que somos colado nos calcanhares do outro que se mexe e toma a iniciativa, Bem sabe o porquê e o como, o quem é supérfluo, saber os sinais onde o conluio se espevita, a raposa põe o focinho de fora, nada ainda e por enquanto fazer sentido, para depois, suspiro, encaixar. Afinal...sim, sempre tinha sido ele o criminoso, suspirávamos, fechávamos o livrinho depois de duas noites de serão, e, no dia seguinte, esquecíamos.
Amanhã sai nas bancas o segundo volume de uma reedição igualzinha à primeira.Abençoados!!
quarta-feira, 17 de junho de 2015
Engrenages
Outra série de eleição, esta não é dinamarquesa como "Killing, crónica de um assassinato", é francesa, inventa-se em redor de três agentes da PJ, Laure, Gilou e Tintim, excelentes actores,trama onde os princípios mais nobres provocam danos colaterais tão graves como o banditismo. Os franceses, contrariamente aos dinamarqueses, são de expressar mais as emoções, têm um aspecto desarrumado, negligé é o termo apropriado, não falam tanto como os americanos em sexo, talvez por praticarem mais e serem menos puritanos, têm fama de se dedicarem a "baiser", é um facto e como tal não precisam de falar muito disso, preferem passar a câmara pelos monstruosos dormitórios de Paris, espécie de favelas em altura e betão onde as crianças se dedicam de alma e coração a assumir a marginalidade como forma de vida. Sou snob em relação à Europa, creio na patine europeia, e os franceses são a creme de la creme, nada de especial,são anos de apuramento do gosto, chamo-lhe classe, à mingua de melhor termo.
domingo, 31 de maio de 2015
tradição
em alternativa a nós
havia o velho a contar histórias
os cromos do carpinteiro de Jerum
um baú cinzento uma bola vazia.
A saga dos efeitos seculares
entupida de cuspo e hipocrisia
magoada ambição de não bastar
o raio da mão da fantasia
para encontrar um outro lugar
sábado, 23 de maio de 2015
Actrizes em estado superlativo.rectificado
Rectificação: depois de ter visto o filme com mais atenção, concluo que, verdadeiramente, não gostei. O argumento é pobre, os diálogos são repetitivos, há uma frase que a Binoche repete pelo menos cinco vezes ao ponto de se tornar insuportável e de manchar toda a cena: "Já fui Sigried não quero ser Helena". Ok já toda a gente percebeu, é uma repetição que envergonha os espectadores e os actores porque os toma por vazios e distraídos. A Binoche é boa, esforça-se, mas sem um texto à altura, um argumento e uma realização talentosa, não há talento que resista. Acaba também ela por não resistir às carinhas e a ver-se de fora, ou seja, roçar o cabotinismo. O Assayas devia dedicar-se à pesca do salmão nos rápidos australianos ou então alguém de boa vontade dizer-lhe (ele está cheio de vento de génio!!) que não basta uma paisagem bonita e duas actrizes talentosas para fazer um bom filme, (embora seja difícil não o fazer, o que prova que ele fez o mais difícil). Conselho: não tocar música pimba com Stradivarius, Quanto à Stewart já o sabia do primeiro momento dos vampiros, tem uma espontaneidade desconcertante mas precisa de ser dirigida senão é um bloco, isto é, precisa limar, tornar-se mais expressiva e isso aprende-se há directores que fazem isso muito bem, o Allen, por exemplo. É tudo, tenham uma boa semana no néon.
quarta-feira, 20 de maio de 2015
aviação a tinta
Com a mesma caneta
traço o juízo e o verso
da mão verdadeira passo a vau
para a ordem monástica
auto dirigindo-me sob as placas tectónicas
desta frivolice
do império do meio
frigoríficos, é tudo
Passo a vau
encravo a caneta entre o indicador e o polegar
acerto no caderno
vigiando pelo olho fechado
a cabine
onde um piloto de unhas partidas
revolve mentalmente a última entoação
domingo, 3 de maio de 2015
Princesa
Acho que travessámos várias vezes a mesma cidade
pareceu-me ouvir o mesmo latido de cão raivoso em cada esquina
Reparei no zumbido da abelha a andar em círculos
Atravessámos várias vezes a cidade mas nossas órbitas eram
grandes massas coloridas de natureza silenciosa ou ruidosa
éramos duas pequenas orcas e o nosso submarino um caudal de peixes rosa
no geral perguntávamos tanto e a pergunta era uma tecla gasta
de uma curiosa e pesada máquina
atravessámos quantas vezes a cidade?
Tantas quantas a resistência do olhar
permitir
Tu trespassavas a membrana opaca
deste ser inclinado para a catástrofe
Ias a correr comigo a um SOS e a tua mão
lembrava-me lareiras acesas
Eu contigo deslizo para fora de mim ainda sem saber
e com custos elevados inicio a surpresa
de me encontrar a sós com o teu corpo
pareceu-me ouvir o mesmo latido de cão raivoso em cada esquina
Reparei no zumbido da abelha a andar em círculos
Atravessámos várias vezes a cidade mas nossas órbitas eram
grandes massas coloridas de natureza silenciosa ou ruidosa
éramos duas pequenas orcas e o nosso submarino um caudal de peixes rosa
no geral perguntávamos tanto e a pergunta era uma tecla gasta
de uma curiosa e pesada máquina
atravessámos quantas vezes a cidade?
Tantas quantas a resistência do olhar
permitir
Tu trespassavas a membrana opaca
deste ser inclinado para a catástrofe
Ias a correr comigo a um SOS e a tua mão
lembrava-me lareiras acesas
Eu contigo deslizo para fora de mim ainda sem saber
e com custos elevados inicio a surpresa
de me encontrar a sós com o teu corpo
quarta-feira, 29 de abril de 2015
fugas
Queria a sirene ainda
ou o repuxo no parque
cirandar
a qualquer hora
em qualquer destes termos
ao redor de ti
voltar à cave onde os círios escrevem
a aleatória saga
do coração
seguindo o fio de prumo
da carne amarrotada
do sangue remexido.
Bolinar no confuso corte da dor
no seu borbulhar atento
ao peito
apear
deitar a toalha ao chão
gladiador de sombras
na boca ainda seca do dragão.
Fugir ao rescaldo
cirandar
perder peso
misturar-se ao pó da arena
e aparecer por dentro
do orifício do medo
sendo ainda quem não vês
quem só fintas
pedes-me a aurora
dou-te a liça ardente
o particípio presente de um ser biológico
a conjugar verbos transitivos.
ou o repuxo no parque
cirandar
a qualquer hora
em qualquer destes termos
ao redor de ti
voltar à cave onde os círios escrevem
a aleatória saga
do coração
seguindo o fio de prumo
da carne amarrotada
do sangue remexido.
Bolinar no confuso corte da dor
no seu borbulhar atento
ao peito
apear
deitar a toalha ao chão
gladiador de sombras
na boca ainda seca do dragão.
Fugir ao rescaldo
cirandar
perder peso
misturar-se ao pó da arena
e aparecer por dentro
do orifício do medo
sendo ainda quem não vês
quem só fintas
pedes-me a aurora
dou-te a liça ardente
o particípio presente de um ser biológico
a conjugar verbos transitivos.
segunda-feira, 13 de abril de 2015
Proust e o sindicalismo militante.
Quem disse que Proust é Proust?
resumo do que oiço:
Proust é moço para não resolver a equação
que o faz ser outro
quando cobiçado pela fortuna
consta que sofria dos artelhos
mas as suas calças engomadas desmentem.
Proust rei imaginário
posto por graça no seu trono de letras
invade sem querer os nossos corações de ostra.
Proust ninguém
o súbdito fugido da taça estendida
consentiu em lambê-la
embora não haja testemunhas.
Serdiagem com referência a benzura
mágica pena no circo das letras
que é já pó de arquivo
não sei onde colocar-te Proust se em baixo à direita
entre deuses ou à secretária
a beijar os pulsos de uma Salomé ressequida
ou amedrontado pelo uso continuado
do quarto escuro
resumo do que oiço:
Proust é moço para não resolver a equação
que o faz ser outro
quando cobiçado pela fortuna
consta que sofria dos artelhos
mas as suas calças engomadas desmentem.
Proust rei imaginário
posto por graça no seu trono de letras
invade sem querer os nossos corações de ostra.
Proust ninguém
o súbdito fugido da taça estendida
consentiu em lambê-la
embora não haja testemunhas.
Serdiagem com referência a benzura
mágica pena no circo das letras
que é já pó de arquivo
não sei onde colocar-te Proust se em baixo à direita
entre deuses ou à secretária
a beijar os pulsos de uma Salomé ressequida
ou amedrontado pelo uso continuado
do quarto escuro
terça-feira, 31 de março de 2015
sábado, 28 de março de 2015
Ode ao silêncio impuro
Ordena-se
imediata libertação do silêncio impuro
colocado por cardeal lerdo
na masmorra ociosa da moral
A ordem, a ter efeito imediato
manda
desconfiar, depenar e discordar dos puros
estes identificam-se pelos pés
caminham e falam em bicos de pés
Bicos de pés são partes minúsculas
invisíveis a olho nu
mas capazes de produzir grandes dores
a quem não possui tal bico
em virtude de nascimento ou credo
ou sei lá, duma cabala tonta
Anjos e outra espécie de faunas aladas
almas, sentimentos, e propaganda
serão doravante colocados no shake
misturados e depois de batidos
engolidos com rigor
um gole de cada vez,
para facilitar a digestão
toda a pureza é indigesta)
e provoca amiúde erupções da bílis
mas uma boa tarde de sono
uma acendalha no fogo
seguida de um rápido soluço
consumarão a proteína
Doravante todo o silêncio será impuro
a palavra também
embora se possa assinalar
bem no fundo do seu arrazoado persistente
a secreta fagulha emigrante no sangue
de uma brincadeira em que todos trocaram de baloiço
e vêm para o campo a rir
segunda-feira, 23 de março de 2015
Salafrária
Volto, volto sempre, a pairar
micrólito do ar parado
regendo a imensa falha desta mó
volto, volto sempre,
entre a bruma e a claridade
Apareço gesticulo
sou ovípara na cidade
o teu cabelo louro, em caracóis
a cega espada do meu peito incandescente
Logo, na canseira e no embuste
abrirei o livro, farei o resumo da matéria
sucumbirei dardo pesado
ao redor do juízo
antes, depois
logo a seguir
interrupção estendida
recomeçando
ser desfocado entre abertas asas feridas
consumo do silêncio
rigor da chibatada sobre o ventre
aquele árido ventre separado
Volto, assim mesmo, acertada
sob um nome falso
sob nenhum nome
sob um céu de chumbo
branqueada
micrólito do ar parado
regendo a imensa falha desta mó
volto, volto sempre,
entre a bruma e a claridade
Apareço gesticulo
sou ovípara na cidade
o teu cabelo louro, em caracóis
a cega espada do meu peito incandescente
Logo, na canseira e no embuste
abrirei o livro, farei o resumo da matéria
sucumbirei dardo pesado
ao redor do juízo
antes, depois
logo a seguir
interrupção estendida
recomeçando
ser desfocado entre abertas asas feridas
consumo do silêncio
rigor da chibatada sobre o ventre
aquele árido ventre separado
Volto, assim mesmo, acertada
sob um nome falso
sob nenhum nome
sob um céu de chumbo
branqueada
domingo, 22 de março de 2015
poesia: a máquina delirante da dedada cósmica
DEDILHANDO
se eu quisesse fazer poesia
era o serviço do meu dia a 21 seria
mas anoto a letra miúda
do calendário escolar
hoje não é dia de poetar
ao virar a página encontro
outros dias pequenos conto
em nenhum me poderia prestar
o ofício ou arte de poetar
se fosse mais tarde ou cedo talvez
no campo ou no mar em vez
de me ter esquecido a medo
pudesse despertar de novo o credo
mas terei de constatar
que apesar de disposição e do verbo
acabei por me atrasar
escrevinho um soneto cego?
não, hoje não é dia de poetar
se eu quisesse fazer poesia
era o serviço do meu dia a 21 seria
mas anoto a letra miúda
do calendário escolar
hoje não é dia de poetar
ao virar a página encontro
outros dias pequenos conto
em nenhum me poderia prestar
o ofício ou arte de poetar
se fosse mais tarde ou cedo talvez
no campo ou no mar em vez
de me ter esquecido a medo
pudesse despertar de novo o credo
mas terei de constatar
que apesar de disposição e do verbo
acabei por me atrasar
escrevinho um soneto cego?
não, hoje não é dia de poetar
terça-feira, 3 de março de 2015
quinta-feira, 29 de janeiro de 2015
auschwitz
A Rússia é um país autoritário e musculado, eufemismos de tirânico, mas foi a Rússia, sobretudo a URSS, que bateu a Alemanha nazi, à custa do sacrifício de 20 milhões de russos (os mais massacrados da história da II Guerra). Pretender que isso não existiu é mau. Sermos tão amiguinhos dos alemães que nos cobram mundos e fundos pela dívida quando a deles, depois da quantidade de inocentes assassinados, ficou por saldar, é injusto. A Europa pagou. Excluir a Rússia, que libertou Auschwitz, das comemorações dos 70 anos da sua libertação é como comemorar o 25 de Abril sem os capitães. É dar um pontapé nas costas da história. Não fica bem. É ingratidão. Continuamos sem ter aprendido nada, as imagens horrendas não são suficientes para unir os povos.
quinta-feira, 8 de janeiro de 2015
Charlie Hebdo
Oliver Jaffers
O que temos agora no Ocidente são assassinos que sob o pretexto religioso têm cobertura mediática, trata-se de gente que assassinaria a troco de nada, deviam ter sido postos a coleira e malga de água e não perder mais palavras.
terça-feira, 30 de dezembro de 2014
BORDERLINE
Lee Miller
acho que vou escrever. aporética escrita em balanço tribal. vou pôr no caldeirão uma pitada de saudade e outra de humanidade, algum ressentimento, não tenho medo das palavras feias, nem das outras, corriqueiras, como, fiz bacalhau cozido e vagueei pela casa poeirenta à procura do último pai natal de chocolate. serventia de astros os meus tornozelos de condessa com papelotes de urso das cavernas. arrumei a gabardine e pus no prego alguma da emoção esvoaçante dos últimos dias. Dezembro era, por esta altura, um mês dado ao edredon e à falange das filosofias perfiladas num estendal de papeis, les raisonements em pedaços, os meus pés eriçados de frio no chão áspero da cozinha testemunhavam a aflição. malditos "raisonements", antes Paris, à la Bastilhe!! renunciei em definitivo aos copos de leite e ao acre das bebidas fortes, assoei-me ao papel de embrulho enquanto a caneta escorregava pelo sono como uma lança escorrega do cinto lasso.
chamo-te a mim nestas ocasiões e em todas as outras em que o fim era um começo branco e a tua boca adormecia na minha para juntas calarmos a fé do corpo e a majestade dos ossos. atrevia-me a ver-nos regar as flores de uma varanda dada ao mar e às ociosidades cinéfilas, onde o sol, as gaivotas e as meias de lã bordavam a sequência dos dias.
chamo-te a mim nestas ocasiões e em todas as outras em que o fim era um começo branco e a tua boca adormecia na minha para juntas calarmos a fé do corpo e a majestade dos ossos. atrevia-me a ver-nos regar as flores de uma varanda dada ao mar e às ociosidades cinéfilas, onde o sol, as gaivotas e as meias de lã bordavam a sequência dos dias.
terça-feira, 23 de dezembro de 2014
Nataleeeee
Sabine Weiss
Sinceramente, irrita-me o capitalismo, o conceito e a prática, suspeito que esta irritação, muito à flor da pele, não possa ser transformada em força libertadora, não penso iniciar qualquer novo sistema, nem juntar-me a essas poeirentas aldeias onde se vive em comunidade e na paz sem desperdício, a ideia de viver comunitariamente não me agrada nada, não me apetece aquele "nós" dos projectos colectivos. Tenho a certeza que não estou só nesta irritação, muitos dos ocupados na consumação sacrificial dos centros comerciais, rejubilam de ódio contra o capitalismo, parece o eterno odiado pai, amado e odiado mas imprescindível. A ser modelo deixa-nos abandonados às nossas congeminações, não nos pune por isso, também não nos faz sentir melhores. Enfim, estava pensando nos malefícios tóxicos deste Natal mas agora lembrei-me da história, a história enfraquecida pela repetição: é preciso encontrar nos nossos corações o amor, ou fingir que o encontramos. Descobri então o meu coração no lugar certo, sei onde está, basta-me. Desejo.o a todos, mantenham o coração em algum lugar fora do peito.
Bom Natal!!!
Assinar:
Postagens (Atom)










