quinta-feira, 22 de junho de 2017
domingo, 18 de junho de 2017
Alheia
Vinda da lonjura turva
a turva sensação da página fixa
Trivial esconjura de medos
fosco desenho
verde folha suja
alheia e sem voz diria
quando já alheios vagueiam os cotovelos
e nos configuram as traças
numa luta perdida.
Pudesse
se nada enfim ou a tarde
a figura do tempo desviasse
mas é no meio que estou
num véu onde o corso da usura desbastou
o que houvera de meu em fragmento
sem memória ficasse
no inferno de doidos
os segredos desfizesse
e sem fim continuasse.
domingo, 16 de abril de 2017
Cinema: "Aquarius" e "O que está para vir"
Na vida das protagonistas destes filmes há um rio por onde a sua atenção vai, absorta, uma atenção amorosa que não desenboca necessariamente num outro, mas nos livros, nas "artes" da Filosofia e da Música, (por mais controverso que
possa ser chamar de Arte à Filosofia). Há nelas uma atemporalidade que se dilui sobre as crispações do tempo histórico, colorindo-o e, quiça de forma muito ténue, negando-o. Dois realizadores, Kleber Mendonça Filho e Mia Hansen-Levi à procura dessa linha ténue entre indivíduo e coletivo, ponto de con/di vergência, onde se delineia uma época. O alheamento da arte face aos gritos da era técnica, volátil, rápida mas incontornável . França, e Brasil, 2016, duas actrizes muito diferentes, Isabelle Humpert e Sónia Braga dão expressão a uma resistência vã, face à irresistível mutabilidade de todas as coisas. Trata-se de resistência, não de combate, mão no ar, "soutien" no fogareiro, mas outro tipo de resistência a um tempo usurpador e consumista, onde o que era revolucionário passou a ser tradicional. O tempo presente não é necessariamente o "mau da fita", como era "o bom" nos anos 60. É esta visão destes dois tempos olhando-se nos olhos, passado e presente que torna estes dois filmes irmãos numa clara advertência à necessidade de um novo combate sem o qual nenhum dos direitos individuais está garantido.
possa ser chamar de Arte à Filosofia). Há nelas uma atemporalidade que se dilui sobre as crispações do tempo histórico, colorindo-o e, quiça de forma muito ténue, negando-o. Dois realizadores, Kleber Mendonça Filho e Mia Hansen-Levi à procura dessa linha ténue entre indivíduo e coletivo, ponto de con/di vergência, onde se delineia uma época. O alheamento da arte face aos gritos da era técnica, volátil, rápida mas incontornável . França, e Brasil, 2016, duas actrizes muito diferentes, Isabelle Humpert e Sónia Braga dão expressão a uma resistência vã, face à irresistível mutabilidade de todas as coisas. Trata-se de resistência, não de combate, mão no ar, "soutien" no fogareiro, mas outro tipo de resistência a um tempo usurpador e consumista, onde o que era revolucionário passou a ser tradicional. O tempo presente não é necessariamente o "mau da fita", como era "o bom" nos anos 60. É esta visão destes dois tempos olhando-se nos olhos, passado e presente que torna estes dois filmes irmãos numa clara advertência à necessidade de um novo combate sem o qual nenhum dos direitos individuais está garantido.
terça-feira, 28 de fevereiro de 2017
corrigindo a lente
Gruyaert, Rua de Londres
Falo-te no acervo por catalogar do meu pensamento
Ainda dormes embora não saibas, tens um fraco por mim
Na mesma idade, hoje e instante miliiiiiiiiiiii
Stancato, abriram-se as portas enquanto alguma coisa
Do domínio do solilóquio acontece
Aqui dá-me gozo abrir portas imaginárias onde ali
Exatamente na rua abaixo não consigo.
Falo-te devagar ainda soletro ouves
Submeto-me pois roga a praga do torcido rabo do demónio
Que ainda vou a tempo da genuflexão
Pois sou assim destapada a molhar o bico
Na tua imaginada cama onde nem sabes se dormes
E vai o mundo a girar e o que queremos ouvir mata o que
Se dá a ouvir e a ver quando
Aterramos num tempo sem hastes
moles cus de alcatrão
sonhando esferas de algodão doce
para e como desperta a primavera
1890, Alemanha, Wedekind. O despertar da sexualidade, Teatro Praga, Lisboa 2017. Encenação do despertar da sexualidade, ou despertar da Primavera, em registo de farsa, mas distanciada, quase em estilo negligente. Raro assume contornos de coisa de gente infantil, com desejos infantis e formas de pensar infantis, se misturarmos com sexo, fica assim um balbuciar trágico onde estão lado a lado as fantasias de chucha e de morte.
Do que gostei...declaro a minha surpresa, não perante o texto, mas perante o modo como é lido o texto, pela companhia, um sonho enfrascado em cuspo, pode-se divagar com a sumptuosa atmosfera dos seus altos e baixos, linguagem difícil e cheia de formalismos que por ser árida, pede palavrões para desanuviar, bem entendido, trágico e cómico na era do telemóvel, será isto.
sexta-feira, 10 de fevereiro de 2017
LA LA LAND
Romântico até ao fim. Este é um filme que trata com delicadeza as nossas fantasias. Não nos deixa cair logo, prolonga aquela tristeza melancólica dos sonhos adiados e da realidade a impor-nos ou uma coisa ou outra. Mantém as nossas fantasias a pairar, abrindo sempre uma gavetinha de possível, sem nunca arriscar soluções mais duras ou radicais. Como se o sonho fosse coisa de classe média compatível com filhos rosados e maridos simpáticos. Mas não podemos exigir muito deste cinema que só quer mesmo alimentar sonhos. Mesmo quando descansamos os olhos na penumbra do corredor, depois de 90m de imagens a lutarem para tentar reconstruir a atmosfera um pouco naif dos filmes musicais, vimos a sorrir. Afinal é justo, não se pode ter tudo, alguma coisa tem que ficar para trás. (é comezinho mas apaziguador). Há duas cenas que deveriam ir para o lixo porque estão desajustadas mas a montagem é excelente, a passagem do onírico e fantasioso ao realista está muito bem feita. Há um corte abrupto mas também continuidade semântica, na medida certa para nos provocar um sentimento nostálgico como Ha! Eu sabia que não duraria para sempre!!
Sou uma romântica que adora histórias de amor. Nas histórias de amor revela-se melhor a personalidade dos actores nas suas cambiantes expressivas, e eu adoro os actores, apesar do Grosling insistir um pouco no estilo blasé à Marlon Brando ( Nunca percebi o que os jovens actores viam no Marlon Brando...), enquanto ela está num registo muito mais histriónico. Por vezes parece um pouco aquele filme de banda desenhada com actores de carne e osso. Ela lembra um pouco a Debora Kerr, é muito expressiva (demais) e tem autenticidade, ele não é nada expressivo, está sempre tristonho, muito preocupado com o interior (o mesmo subtexto de representação que vimos em Marlon Brando e James Dean e que eu pessoalmente detesto - estilo: Estou-me nas tintas para vocês espectadores!!), mas também tem uma certa autenticidade, e assim se dá a sustentação realista - na autenticidade dos actores-. Gostei muito do filme, por causa destas pequenas fragilidades. É um filme tocante.
Sou uma romântica que adora histórias de amor. Nas histórias de amor revela-se melhor a personalidade dos actores nas suas cambiantes expressivas, e eu adoro os actores, apesar do Grosling insistir um pouco no estilo blasé à Marlon Brando ( Nunca percebi o que os jovens actores viam no Marlon Brando...), enquanto ela está num registo muito mais histriónico. Por vezes parece um pouco aquele filme de banda desenhada com actores de carne e osso. Ela lembra um pouco a Debora Kerr, é muito expressiva (demais) e tem autenticidade, ele não é nada expressivo, está sempre tristonho, muito preocupado com o interior (o mesmo subtexto de representação que vimos em Marlon Brando e James Dean e que eu pessoalmente detesto - estilo: Estou-me nas tintas para vocês espectadores!!), mas também tem uma certa autenticidade, e assim se dá a sustentação realista - na autenticidade dos actores-. Gostei muito do filme, por causa destas pequenas fragilidades. É um filme tocante.
terça-feira, 27 de dezembro de 2016
segunda-feira, 19 de dezembro de 2016
Elas vêm as palavras
preciso que as vejas vir
quieta e só
humilde e amarrotada
Deixa-as aproximarem-se
finge estar em Gibraltar
contemplando o mar
ou acariciando a madeixa de uma loura
andrógina
com a qual passarias sem dúvida para trás
tantos sonhos de letras
moles.
Coloca o copo de vinho
estala os dedos
tu
verás
juntam-se adiante
de joelhos dobrados
e vendadas
nesse momento emerge , olhos de foca
poderás decantá-las
chupar a grainha
deitar ao lixo o engaço
mas não as queiras transparentes
deixa-as agrestes
vergar-te de cansaço
dá-lhes o teu coração de ostra e bebe-as
de olhos fechados.
domingo, 18 de dezembro de 2016
vertigem
A serena orquestração do mundo
não dança
rumina
solta-se num corredor de crianças amestradas
por olhos de garça mal disfarçados
Chupacabras
pormenores de uma desolação fria.
Sentimos infelizes os corpos por um cuspo qualquer
uma beata
uma hecatombe de estrangeirismos
(por entre os lábios)
qualquer circuito eléctrico ou mar
metáfora, ou coisa, vento ou prótese.
Já não sei
cai por todo o lado
um detonador de sentimento
Passageiros Chupacabras
afligidos pela quebra de energia
esculpindo sulcos com a caneta
para que o dia não se consuma mais
e aflore embrião perfeito
num outro amanhecer.
Ser capaz de sonhar
diria Pessoa
dar tudo por uma sandes de mortadela
a barba de 4 dias
e a púbis na álea vazia do claustro antigo
digo
a púbis ritualizada.
Chupacabras entre dentes.
À febre, ao musgo
À refrigeração das latrinas da alma!
Ah! ser tão distante entre vírgulas
e tão dolorosamente próxima de tudo!
não dança
rumina
solta-se num corredor de crianças amestradas
por olhos de garça mal disfarçados
Chupacabras
pormenores de uma desolação fria.
Sentimos infelizes os corpos por um cuspo qualquer
uma beata
uma hecatombe de estrangeirismos
(por entre os lábios)
qualquer circuito eléctrico ou mar
metáfora, ou coisa, vento ou prótese.
Já não sei
cai por todo o lado
um detonador de sentimento
Passageiros Chupacabras
afligidos pela quebra de energia
esculpindo sulcos com a caneta
para que o dia não se consuma mais
e aflore embrião perfeito
num outro amanhecer.
Ser capaz de sonhar
diria Pessoa
dar tudo por uma sandes de mortadela
a barba de 4 dias
e a púbis na álea vazia do claustro antigo
digo
a púbis ritualizada.
Chupacabras entre dentes.
À febre, ao musgo
À refrigeração das latrinas da alma!
Ah! ser tão distante entre vírgulas
e tão dolorosamente próxima de tudo!
quinta-feira, 8 de dezembro de 2016
Filmes: O primeiro encontro
sexta-feira, 18 de novembro de 2016
Até onde o restolho
a segurança de um prelúdio bem idolatrado
gordo, endomingado
Até onde pudesses pensar e continuar
remexendo na balaustrada as contas
linda chama
Por quem Leonor?
Pela ambrósia de um deus atónito ou ébrio
por uma rosa
por uma aurora
por segundos
Até onde a tricotar
a vassourar
a estender palavras massa
a guardar a tentação aversão
das curvas sonhadas do rosto
Até onde entre palavras?
por uma balada
uma onça de tabaco
um triciclo abandonado na rua
Por onde carregas o pote Leonor?
Até onde bastará o que basta
um ribombar súbito
um olhar que prolongue
o espasmo até à eterna combustão
do amor dor
Até onde
Até onde perguntas
Até onde
mergulhar
para longe onde a água se confunda
me confunda
Até onde
ruminar solilóquios
preguiçar preguiçar
até onde Leonor e porquê?
a segurança de um prelúdio bem idolatrado
gordo, endomingado
Até onde pudesses pensar e continuar
remexendo na balaustrada as contas
linda chama
Por quem Leonor?
Pela ambrósia de um deus atónito ou ébrio
por uma rosa
por uma aurora
por segundos
Até onde a tricotar
a vassourar
a estender palavras massa
a guardar a tentação aversão
das curvas sonhadas do rosto
Até onde entre palavras?
por uma balada
uma onça de tabaco
um triciclo abandonado na rua
Por onde carregas o pote Leonor?
Até onde bastará o que basta
um ribombar súbito
um olhar que prolongue
o espasmo até à eterna combustão
do amor dor
Até onde
Até onde perguntas
Até onde
mergulhar
para longe onde a água se confunda
me confunda
Até onde
ruminar solilóquios
preguiçar preguiçar
até onde Leonor e porquê?
domingo, 6 de novembro de 2016
Café Society, o último Allen
Café Society é um filme a reviver intensamente, 80 anos depois, o glamour do cinema Americano dos anos 30. Não faltam as referências ao Wilder do "Crepúsculo dos Deuses" e a Barbara Stanwick. Um tributo de um cineasta que admira os antigos, que admira a escola e a tradição de Hollywood. Mise em scéne perfeita, fotografia luminosa, e uma vedeta com uma beleza oscilante entre a femme fatal e a inocência. Entre a displicência da Kim Novak e a beleza contemplativa da Eddy Lamarr. As referências sucedem-se naquele ritmo frenético que nada tem dos thirty's mas que é Allen ele mesmo,num discurso que quer apanhar em palavras o indecifrável das emoções. Nas tiradas irónicas do self made man encantado e pragmático a quem foge sempre qualquer coisa do essencial a que aspira e sempre pouco à vontade no meio da society de que faz parte, admirando distanciado a sofisticação das roupas e das poses com que o poder vai tecendo os seus simulacros, um jogo que o atrai mais do que algum dia poderia admitir.
domingo, 28 de agosto de 2016
manhã
Eram sete e meia
hora dourada sem poetas ou touros mortos
a tiro de carabina.
Acidentalmente, ao redor da fonte
o contorno de uma cotovia
levanta um pouco de vento
sacudindo o pó ao mármore
simétrico das janelas cercas
onde supomos haver céu
Era hora de recomeçar
ouvir trinar o melancólico peito
enrolar um fio a jeito
e a seguir já sobre o balcão
limpar a faca de pão
da laranja aberta
e, quem sabe, pensar
(com alguma sorte)
que o café a ferver não vai sair muito forte.
hora dourada sem poetas ou touros mortos
a tiro de carabina.
Acidentalmente, ao redor da fonte
o contorno de uma cotovia
levanta um pouco de vento
sacudindo o pó ao mármore
simétrico das janelas cercas
onde supomos haver céu
Era hora de recomeçar
ouvir trinar o melancólico peito
enrolar um fio a jeito
e a seguir já sobre o balcão
limpar a faca de pão
da laranja aberta
e, quem sabe, pensar
(com alguma sorte)
que o café a ferver não vai sair muito forte.
quinta-feira, 28 de julho de 2016
enferma1
Pintura Andrew Wyeth
Semeado o halo da morte multiplica-se o nojo
o ramo de orquídeas entre as palmas vê
o Truísmo da idade ser alimento da vontade
musa desaparecida, alcateia de murmúrios.
Meu apelo de pega ociosa entre ordens ancestrais
actua como cinto de frémito
actua como cinto de frémito
Alcança-me a gambiarra a arder
Antes de desfalecer em visões grão
Brancas desmaiadas enfermeiras
Sobre o meu corpo suturadosexta-feira, 22 de julho de 2016
os blogues, o narcisismo e o amor
Anna Magnani em L'amore de Rossellini. Retrato da submissão a um sentir que, mesmo tendo um contorno definido de alguém, projecta-se sempre dentro de nós como infinito, é em toda a dimensão da sua ausência. O amor vivido alimenta-se dessa convulsão, impossível, entre o finito material da vida e o infinito intemporal do desejo, será dramático, não pode deixar de ser.
segunda-feira, 4 de abril de 2016
Paris
Paris é uma cidade que apurou o gosto da civilidade, serve-nos o olhar, o paladar e a exigência de um lugar onde as obras perenes se quedaram e se oferecem à nossa contemplação.
quinta-feira, 31 de março de 2016
I
Vejo-me a andar às arrecuas
sobre a ventoinha suspensa do real
berço da vida
palimpsesto
a bóia segura por andaimes em risco de turvar
e o meu olhar pedra rasa
o meu olhar olho
meu radar
de mulher que morreu duas vezes
enquanto as imagens iam e vinham
em cadência sobre a pele baça
membrana inútil
do tempo que falta para não ter alternativa à morte.
II
À porta do museu alinho as frases azuis
dos diabos celestes
magros peregrinos
sobre a superfície lisa do papel
Somos agora tu e eu
e seremos ainda mais tempo em nenhum tempo
não interessa
pois somos agora
seremos
arredondadas açucaradas
gárgulas nos dentes de ouro dos ciganos
Somos agora tão ansiosamente eternas
como as vertentes douradas
do monte ao entardecer primaveril
seremos ainda quando os passos avivarem a pedra gasta da rua
e a respiração for silenciosa
e não houver rio nenhum
e nenhuma sombra a deixar atrás
Seremos ainda agora
expectantes e belas no tampo marron da mesa de café
enlutadas sem história
furando os mínusculos orifícios das palavras veladas
ódio indiferença
no frontispício dos teatros que vão construindo
sem o nosso consentimento.
Vejo-me a andar às arrecuas
sobre a ventoinha suspensa do real
berço da vida
palimpsesto
a bóia segura por andaimes em risco de turvar
e o meu olhar pedra rasa
o meu olhar olho
meu radar
de mulher que morreu duas vezes
enquanto as imagens iam e vinham
em cadência sobre a pele baça
membrana inútil
do tempo que falta para não ter alternativa à morte.
II
À porta do museu alinho as frases azuis
dos diabos celestes
magros peregrinos
sobre a superfície lisa do papel
Somos agora tu e eu
e seremos ainda mais tempo em nenhum tempo
não interessa
pois somos agora
seremos
arredondadas açucaradas
gárgulas nos dentes de ouro dos ciganos
Somos agora tão ansiosamente eternas
como as vertentes douradas
do monte ao entardecer primaveril
seremos ainda quando os passos avivarem a pedra gasta da rua
e a respiração for silenciosa
e não houver rio nenhum
e nenhuma sombra a deixar atrás
Seremos ainda agora
expectantes e belas no tampo marron da mesa de café
enlutadas sem história
furando os mínusculos orifícios das palavras veladas
ódio indiferença
no frontispício dos teatros que vão construindo
sem o nosso consentimento.
segunda-feira, 8 de fevereiro de 2016
O preço do Sal
Agora é o momento de ver os filmes para o óscar, e gosto, porque são bons filmes os que começam nesta altura a estrear, a produção americana tem produtos de bom gosto e escorreitos, mas faz falta lavar a vista com outras produções, Outro cinema, o mundo é vasto e a arte não pode ser manipulada ao ponto, cada vez mais, de ser americana.Fui ver o Carol, no Amoreiras cinema, a história da Highsmith tinha sido uma bomba quando a li ainda nos anos 80 editada pela Europa América. Boa história, levaram 60 anos para a contar em filme. Hollywood tão cansada de velhas histórias de amor tem um novo filão a explorar, mas tem que o fazer bem. Neste caso sim, embora eu imaginasse, como sempre quando lemos primeiro o livro, esta Therese Belivet muito mais arriscada e marginal do que eventualmente a personagem do filme representa, mas corre um fio de intensidade emocional no filme, esse fio é tanto mais perturbador quanto ele se esconde por detrás dos valores de produção sólidos da indústria americana. Não acho que seja uma história de sedução de uma mulher mais velha a uma mais nova e de uma classe mais baixa, não é isso que Therese é, e o livro é a perspectiva dela, a certeza do amor dela que corre, essa certeza que nem uma vez esmorece, é que dá a intensidade emocional do filme. A história não é Carol mas Therese, é nela que corre o desabrido, uma ponta de abismo por onde começa e acaba todo o amor.
sábado, 14 de novembro de 2015
...mais mortes, mais guerra, mais vazio, mais espanto, mais perplexidade. Bogart dizia para Bergman, we always have Paris, concordamos. enquanto Paris for Paris a civilização aguenta-se contra a injustiça e a barbaria. A cultura de morte e destruição só pode ser parada por uma cultura de inteligência e compreensão, é preciso saber como e porquê, descobrir uma nova vacina para dissolver a maldade. ver de onde vem o dinheiro, secar a veia, porque sem dinheiro esta gente estrebucha por falta de alimento.Haverá verdadeira vontade? Acho que deve haver muita gente na finança a ganhar com a morte destes inocentes.
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