quarta-feira, 17 de julho de 2013

Gulliver e a literatura

Os alunos têm péssimas classificações nos exames nacionais de português e, todavia, eles são fáceis e pobres. veja-se a entrevista de Carlos Vaz Marques a António Osório (na prova de exame de português de hoje) sobre as emoções vividas que estão nos antípodas, segundo os dois, das pensadas do Pessoa. vividas e pensadas. estamos com 12 anos de escolaridade e insistimos num cardápio indigesto. a literatura por suposta pessoa em entrevista não é literatura mas texto jornalístico e apesar do poema de Camões ser poesia, pura e dura, (com glossário para o caso das crianças não saberem o que querem dizer as palavras mais difíceis) eu pergunto-me hoje, quando se escreve a rodos sobre tudo e mais um par de botas, porque será que os alunos não podem ser confrontados com os textos dos autores e daí se desembrulharem, pergunto porque perdeu a literatura o estatuto de coisa importante e difícil para se tornar num amontoado de lugares comuns a trazer e a repetir à exaustão? O verbo não é o princípio e não é ele ainda o fim a julgar pela quantidade de letras produzidas? porque me irrita a simplificação da literatura e irrita-me esta coisa da unificação de critérios e da panóplia de cientificidade e coeficientes de sucesso, quando é cada vez mais gritante o insucesso. A literatura não é para todos, mas  não é esse o problema, o problema é a quem ela serve e para quê. há um medo da inutilidade como se fosse tudo programado para o serviçal. serviçal de quem? para quem? Há mais felicidade e desafio no hermético do que no clarificado da sebenta mastigada por uma série de serviçais. dê-se voz ao canto, sejamos mais comedidos na produção e idolatre-se com reverência de poder, esquisito mas poder, a VERDADEIRA literatura que não serve ninguém e não serve imediatamente para nada

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