quinta-feira, 8 de dezembro de 2016

Filmes: O primeiro encontro



Foi com alguma suspeita que entrei no corte inglês, era uma sexta de pastilhas enjoativas pré-natalícias, eu também, agora e sempre faço parte da parte elástica da coisa, porque a única liberdade que o sistema me dá, justamente agora, apreciei, na base neurótica desta sociedade engendrada em grandes egos, a base que me dão, digamos o trampolim das acrobacias, é a alienação, para onde posso ir, para todos os lugares em que me disponho dá-me francamente a náusea da alienação, e foi com essa disposição esquisita que fui ver O primeiro encontro de um realizador canadiano chamado Denis Villeneuve. O filme tem pouco de "canadiano", é americano da cabeça aos pés e é, também, mas não só, uma sequela do lado pro americano propagandista e militarista apesar de dar a impressão de não ser, de apresentar a boa da américa pacifista e intelectual. A questão neurótica da coisa - eles somos nós e os nossos próprios fantasmas - aflora a medo, mas vislumbra-se naquela mistura que está para lavar e durar entre o frio objetivo e a quente subjetividade. Não é por acaso que a protagonista é mulher,  nela está condensada a dicotomia um pouco maniqueísta. As emoções claro, triunfarão sobre a parafernália militarista, sobre o convencional ergue-se o subjectivo, o emocional verdadeiro lar, tipo ralo de escoamento e atração centrípeta, para onde convergem todos os homens num pacto silencioso de humanidade. Lembra "Contacto" embora a Judie Foster alcance mais e melhor que a Amy Adams, é mais viril e portanto acentua de forma mais óbvia a questão de acabarmos por ser aquilo que queremos esconder. Ou melhor dito, que na invasão do extraterrestre está um pouco da invasão da verdade do que somos e padecemos e dói, e que no fim se revela por força de uma circunstância que exige que nos superemos e enfrentemos os medos. Do ponto de vista visual e atmosférico é bom. É tudo.

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