quarta-feira, 17 de dezembro de 2008

Plágio

Dá para surpreender e ao mesmo tempo gozar com a indignação irritada e sedenta de vingança de alguns "autores" da blogosfera quando descobrem que foram "plagiados". O modelo é sempre o mesmo, para começar nunca são eles que descobrem essa falcatrua infame, como génios mal compreendidos o seu nariz fino e perspicaz não se familiariza com o cheiro fétido da coisa criminosa que dá pelo nome de Plágio (quase parece o nome para o cavalo alado e ficaria bem se dessa mesma família alada pudéssemos tratar o plágio) atribuem pois a pesquisa e descoberta do crime a bloguistas amigos mas secundários que num tributo ao seu génio mal compreendido lhe vêm beijar as mãos com o presente. Ficam então furibundos e atacam sem piedade os ditos infames que ousaram tocar de mãos emporcalhadas e medíocres tão belo e original bocado de prosa copiando para a colocar lá no seu canto. Esquecem-se os irritados autores que aqui não há moradas nem propriedade privada. Toda esta reacção revela mesquinhez e falta de visão. O que tem graça aqui neste espaço apaga a pompa da autoria. Aqui um texto é de todos, e por duas razões fundamentais: primeiro porque quem o escreveu não tem nome nem rosto definido, é um nome ao qual não corresponde identidade, em segundo lugar todos podem ir ao canto uns dos outros, sem bater à porta, nem pedir licença porque a casa é de todos. Tudo pode ser livremente copiado. Quem não quer ser copiado não coloca aqui a sua preciosa obra, quem o faz aceita tacitamente as regras deste jogo, e não vocifera por ter a casa roubada quando nem fechadura existe! É essa plasticidade, essa facilidade de acesso que torna a blogosfera um espaço de divulgação imparável de palavras sem dono. Palavras só.Que interessa quem as disse primeiro, se alguém as lê e lhe fazem sentido está de parabéns o autor pois o seu texto não só foi sentido como foi útil para muita gente. Haverá maior prestígio para a palavra escrita que ser útil, servir, como serve a enxada ao cavador?

28 comentários:

Anônimo disse...

Minha grande besta!

kyler disse...

a minha avó diria: os actos ficam com quem os pratica

kyler disse...

ou talvez: não há coisa boas e coisa más, mas sim pessoas boas e pessoas más

J. disse...

Não poderia estar mais em desacordo consigo!

Eu que tenho um blogue que ninguém lê e que provavelmente nunca ninguém plagiou ou plagiará não compreendem nem entendo os seus argumentos!

Mesmo que, como diz, não haja uma identidade definida há sempre um endereço para onde fazer um link e não custa nada admitir que os textos não são nossos mas sim encontrados e difundidos. Fazer o contrário é enganar quem nos lê. Quem visita os nossos blogues tem o direito de saber se está a ler alguma coisa escrita por nós ou alguma coisa que lemos num outro lugar qualquer e de que gostámos. No caso de ser a segunda hipótese tem ainda o direito de saber quem escreveu em primeira mão e, se assim o pretender, passar a visitar esse local!

Na minha aldeia, ainda não há muitos anos, todas as portas estavam abertas ou com a chave na porta... Isso nunca deu o direito a ninguém de entrar nas casas e servir-se à vontade!

Penso que reproduzir textos encontrados na blogosfera não tem nada de mal... Deixar um comentário ao autor a dizer que o fizemos e uma ligação no nosso post para o local original é, na minha opinião, uma questão de educação!

CCF disse...

Desacordo absoluto! Todos os textos têm uma autoria que deve ser respeitada, independentemente do local e suporte em que são publicados. O plágio é um roubo.
~CC~

Mãe da malta disse...

Acredita mesmo nisso que escreveu? Os meus vizinhos deixam ali nas escadas as bicicletas deles, pois que como a malta até confia nem as deixa com cadeado.

Se calhar vou dar uma voltinha.

Sandra Duarte disse...

Não concordo nada consigo mas como concordo em absoluto com o J.:
"Eu que tenho um blogue que ninguém lê e que provavelmente nunca ninguém plagiou ou plagiará não compreendem nem entendo os seus argumentos!

Mesmo que, como diz, não haja uma identidade definida há sempre um endereço para onde fazer um link e não custa nada admitir que os textos não são nossos mas sim encontrados e difundidos. Fazer o contrário é enganar quem nos lê. Quem visita os nossos blogues tem o direito de saber se está a ler alguma coisa escrita por nós ou alguma coisa que lemos num outro lugar qualquer e de que gostámos. No caso de ser a segunda hipótese tem ainda o direito de saber quem escreveu em primeira mão e, se assim o pretender, passar a visitar esse local!"

Não custa assim tanto, pois não?

tAO... disse...

Eu concordo absolutamente com o que esta a disser...
Pessoas esto é internet.
É como o mundo mesmo
ja quiseramos todos que ninguem roubara nada, que ninguem fizera nada mau, que todo fosse belo, legal, honesto... etc...
Pois nao, nao é assim desgraciadamente...

A diferenca é que ninguem noss pergunto se queriamos vir ao mundo...
Mas sim noss perguntaram si queriamos vir a bloguear...

tAO... disse...

Peco desculpas anticipadas pelo meu portugues...

Berta disse...

A blogosfera não é uma terra de ninguém. Os blogues têm nomes e têm autores que se identificam às vezes com o nome verdadeiro, outras vezes com nicks. Muitos bloggers ganharam notoriedade pública e são hoje cronistas em jornais e na televisão. Por exemplo, o blogue de Ariana Huffington tornou-a uma das pessoas mais influentes dos EUA em matéria de jornalismo, sendo usado como referência mais credível que muitos jornais.
A única diferença é que na blogosfera não há direitos de autor. Não se ganha dinheiro com os conteúdos, mas não é por isso que eles não têm autor.
Não me admirava nada que a senhora fosse a autora do blogue acadamanha que foi recentemente alvo de umas descobertas embaraçosas de plagio e agora a coberto de um novo nick está a mandar postas de pescada. Só alguém muito mal intencionado pode defender uma barbaridade destas.

sem-se-ver disse...

que pena... terei de lhe ensinar algo tão básico quanto seja a... honestidade?

tststs...

sete e picos disse...

é triste ler semelhante barbarie. Isto é a internet, e como na vida quem escreve tem direito a ser reconhecido. É uma questão básica de honestidade, na internet como na vida.

Carla disse...

Na net HÁ Honestidade???
Poupem-me....

Mãe da malta disse...

Eu sou honesta em qualquer lado. É uma questão de carácter, não é uma questão do local onde se está.

sem-se-ver disse...

exactamente, mãe da malta

Loendro disse...

Se houvessem comprimidos contra a estupidez, envia lhe já um contentor deles.

indigente andrajoso disse...

pelos vistos não sabes o que é a propriedade intelectual...

e nem vale a pena ir mais além...

via disse...

Anónimo; besta? Talvez, mas não sua certamente! Livra!

Kyler: isso não é um bocadinho maniqueísta?

J. O direito de saber todos temos, mas tal como as coisas são, qual a garantia? Confiar em anónimos? Parece-me coisa de cegos. A net não é uma aldeia onde todos se conhecem é um continente inteiro! Repor a verdade é uma exigência moral e nada do que diz o texto tem conteúdo normativo.

CCF: só há roubo quando a propriedade é garantidamente de um dono, ou quando sabemos qual o dono, ora nem sempre assim é. Volto a dizer, que na dúvida temos que ter parcimónia no juízo.

Mãe da malta: Veja lá! Não estrague a bicicleta dos pequenos! Acredito que esta pomposidade da autoria num meio como a net é ridícula! Quanto ao carácter, pois isso cada um ou tem ou não tem.

Sandra: Não, não custa! O problema não são os bons costumes que toda a gente sabe quais são, e é um tédio insistir sempre no mesmo.A facilidade, a velocidade e a imensidão anónima da net fazem dos bons costumes um discurso de intenções, vazio e muitas vezes petulante, nada mais.

Tao: ora bem!

Berta; sou mesmo, a cada manhã um novo nick! Porque não?

Ensine-me lá… sem se ver.

Sete e picos: Bárbaro, é o meio, o facto de não gostarmos não o modifica.

Carla: haja bom senso!

Loendro: já não há comprimidos para a estupidez, sabe porquê? O sr. tomou-os todos na infância! Já não se lembra?

Indigente: Olhe que sei…olhe que sei...

Tagalex disse...

Bom, eis um texto que certamente ninguêm plagiará. É raro ver tanta ignorância, falta de vergonha, desonestidade em tão poucas palavras.

tacci disse...

Um blog é um meio neutro. Pode ser bem ou mal usado, como a maioria das coisas, não é? E a blogosfera, infelizmente, tem gente de todos os géneros.
Pessoalmente, acho que é mais bonito quando as pessoas têm, ao menos, um pouco de orgulho e de dignidade.
Se não têm, paciência. Arriscam-se a ouvir coisas de que não gostam.
Por exemplo:
"Quem copia sem citar a origem do que copiou só pode ser um ladrãozeco fedorento."
É tudo.

indigente andrajoso disse...

pelos vistos não sabes não...

Pedro disse...

A blogosfera caracteriza-se no seu melhor pela aceitação de um certo número de regras tácitas de decência. O teu texto tem uma única virtude: explicita uma forma de pensar que leva à destruição dos melhores conteúdos.

Miss Pu disse...

Provavelmente, o post mais ridículo alguma vez feito na blogosfera.

GHAFA disse...

um parentesis com o nome do autor em itálico no lado direito ao fundo do textinho bonito da qual transcreveu não faz mal a ninguém... continua escrito e não fere ninguém

(parabéns conseguiu notoriedade)

...

Margarida disse...

Cara via: apoiadíssimo. Concordo com quase tudo. Se as pessoas forem honestas, tanto melhor; mas se de facto alguém copiar sem qualquer referência nenhuma, lá está, é um risco. De que serve toda aquela guerra que é encetada contra o suposto plagiador, às vezes por frases tão básicas e tão "senso comum" que podia de facto ter sido pensado por mais de uma pessoa. Já vi também gente a se humilhar, desculpando-se sinceramente por ter omitido a fonte de uma frase qualquer, apressando-se a corrigir a situação. Mas ainda assim, o suposto plagiado não descansa enquanto não "destroi" o suposto plagiador. É por essas e por outras que não tenho pachorra para ter um blog.

Lilly Rose disse...

Reparei na sua "lista de blogues que valem a pena". Todos são "blogues de autor". Tenho a certeza que decidiu que era a sua vez de também "emitir uma opinião própria e originalíssima". Só que para isso é preciso pensar (não muito... mas um bocadinho).

inominável disse...

nunca tinha lido semelhante idiotice... òbvia é só a falta de honestidade da autora do post...

Anônimo disse...

Não é necessário haver uma lista com regras ou uma lei específica para se saber o que está correcto ou errado! Há que ter respeito pelos autores e boas maneiras e boa educação que devem vir ensinadas de casa.. Pelos vistos a senhora, se é que assim se pode chamar, que escreveu este post não tem essas boas maneiras!
Gabar-se do que os outros escrevem pondo o seu nome por baixo é muito baixo mesmo...Se gostou do que viu ou leu e pretende publicá-lo no seu blog, nada melhor que colocar o nome do autor no fim... Nunca é tarde para aprender a ter educação!
E já agora...não revele a sua identidade, porque é de ter vergonha de sair à rua ou mostrar a cara depois de escrever uma coisa destas...tenha vergonha na cara!