sexta-feira, 12 de agosto de 2011

Talvez este não seja o ameno tempo das palavras. obscuro, mais obscuro ou pueril o que sentimos, já as usámos todas e com elas nos separamos. engano é pensar possíveis, há sempre depois os factos, o que fazemos. vamos ou ficamos. enfrentamos ou fugimos. e o tempo escoa entre os pingos da água que empapa a terra seca. pensar não atenua o fogo mas incendeia pequenas ilhas incólumes em volta. pensar alimenta o fogo, abre possíveis. não pensar é melhor, regar as plantas, lavar a loiça, ataviar o tempo de laçarotes, viver na cómoda ilusão de um tempo que virá. Pegar no martelo para construir muros ou, na melhor das hipóteses, passagens estreitas entre pedras que se desconhecem apesar da antiga proximidade. É tremendamente desconhecido, atávico, o desejo, quer a vontade que ele permaneça ao largo com seus furacões de lava, sem ele, esmorecemos e no verão vem a cacimba tuberculosa do inverno.

4 comentários:

Anônimo disse...

saber escrever é isto.
que bom poder lê-lo.
L.S.

JPD disse...

Estiveste na Zambujeira, Via?

Há lá um local chamado Laginja onde se podem ver formações rochosas como esta que ilustras a edição.

O nosso quotidiano está cheio de pontos mortos, de inércias e apelos à parcimónia intelectual.

Dolce Far Niente, esporadicamente, não fará mal.
Manter viva a actividade intelectual, pensando e elaborando imagens, narrativas novas, é salutar.

Bjs

via disse...

Anónimo: ainda bem, é um prazer.

JPD: Penso que a morfologia destas rochas se prolonga por toda a costa vicentina, mas sim, olho de lince, zambujeira.bjo

JPD disse...

É ou não magnífica, a Zambujeira?
Resposta:
SIM!

Bjs