quinta-feira, 13 de setembro de 2012

num estado de sítio

 
Quero falar da tristeza que sinto em relação ao estado deste país. Da afronta que todos os dias temos de engolir, este mal cansado, esta besta malfadada da crise, espécie de cobra paralisante a engolir tudo à volta, a camisa esfiapada, num pau. Aqui onde erigimos betão, fecharam as portas e instalaram o estado de sítio, a vigilância cuidadosa e eficaz. Aqui não conseguimos ser livres, ser livre parece ser supérfluo, ser justo irrelevante, a dignidade está no vinco das calças ou no sapato alto. Cuspir o veneno para longe,  antes fazia sentido, deitar a língua de fora, ou rir ou chorar, tudo o que antes fazia sentido, agora não faz, não faz nenhum, nada. As palavras são redundantes e o seu efeito nefasto, repetem-se numa unanimidade muda, o discurso é uma anestesia que deixa um inchaço grosseiro nas bochechas. Este é um estado totalitário, um  estado de rasura, de subserviência.

10 comentários:

sónia silva disse...

via,
conseguiste exprimir por palavras tudo o que eu, e espero, mais portugueses sintam, porque isto tem de ter um fim!

sónia silva disse...

esqueci-me à pouco de referir que gostei muito da foto!

via disse...

obrigada sónia, e sim, tem de ter um fim, dia 15 há uma manif.talvez pôr milhares na rua ! abraço

sónia silva disse...

bem sei, é minha intenção participar nela!

Alberto Oliveira disse...


... cortar as asas ao poder instalado não chega. É preciso ir mais longe, procurando entender como chegámos a este ponto e rectificar erros de casting que todos (de um modo ou outro) cometemos. A nossa classe política já demonstrou que não nos defenderá em troca de um simples voto e fará ouvidos de mercador aos um gritos de desespero deixados na rua. É preciso cultivarmos uma cidadania de exigência que infelizmente nos vai faltando.

Alberto Oliveira disse...


... cortar as asas ao poder instalado não chega. É preciso ir mais longe, procurando entender como chegámos a este ponto e rectificar erros de casting que todos (de um modo ou outro) cometemos. A nossa classe política já demonstrou que não nos defenderá em troca de um simples voto e fará ouvidos de mercador aos um gritos de desespero deixados na rua. É preciso cultivarmos uma cidadania de exigência que infelizmente nos vai faltando.

CCF disse...

Bem pensado, bem dito!
~CC~

via disse...

sónia: O mal estar é geral e no sábado viu-se bem, não pude ir porque não estava cá mas se estivesse tinha ido,era mais que justificada a manif. A foto é gerês. Abraço

Alberto Oliveira: Este governo tem legitimidade para governar porque foi eleito democraticamente, resta saber se o sabe fazer em tempos difíceis, o que tem feito não é brilhante. A Cidadania parece ter acordado um pouco. quando se perde direitos e regalias de forma tão óbvia só um morto é que não grita!

CCF: Obrigada!

Magnolia disse...

Assino por baixo.

A foto e belissima

via disse...

Magnólia: Por quem sois senhora! Thanks.