domingo, 4 de maio de 2014

The Killing: Crónica de um assassinato




Esta é uma série que se vê religiosamente, a terceira temporada passava às terças, 21.45 no AXNBLACK e nunca um local no sofá foi tão ansiosamente aguardado. De facto,  as americanices policiais deixaram de me seduzir, desde os tempos de uma antiga série, que pouco tem a ver com esta: "Modelo e detective".  Eram todas muito profissionais e previsíveis, com retratos psicológicos estereotipados e recursos ao sexo constantes e repetitivos. Esta lavou o prato dos condimentos enjoativos, veio da Dinamarca e responde sem mácula ao que se espera de um policial: acção, lógica e mistério. Embora sendo produzida em 2007 só por cá passou, a primeira temporada, em 2012, o atraso é corriqueiro mas inaceitável, pergunto-me porque temos de aguentar horas de séries americanas sem interesse e  esperamos 3 anos para poder ver um produto dinamarquês de qualidade notoriamente superior. Andanças do demónio certamente. 
A acção passa-se em Copenhaga, a heroína é Sarah Lund, uma inspectora da polícia obcecada com o trabalho, hermética, pouco emotiva, persistente. Nela se concentra a investigação de um assassinato, com avanços e recuos, erros e intuições espantosas. A rede da trama é larga e envolve famílias políticas, pessoas solitárias e grupos de pressão. Um dos factores originais é exactamente esse, a dinâmica entre a pessoa e o grupo, demonstra de forma convincente como a vontade e as vontades, os interesses e o desejo de verdade se podem articular sem que haja um protagonismo redentor de qualquer uma das personagens, todas, por momentos, são influenciadas pelo grupo onde agem e simultaneamente teimam em ter os seus próprios caminhos, mesmo contra todos, numa espécie de alternância caótica em que as consequências de cada acção têm desfechos para além do que pode ser antecipadamente previsto pelo pensamento do grupo ou de um só, como se cada uma das acções ao chocar com outras vontades nos conduza por meandros inesperados. Estou triste por ter acabado a terceira temporada. Neste deserto televisivo de novelas e produtos para consumo instantâneo, uma janela onde o barulho das gentes não é só ruído, faz falta.

10 comentários:

tsiwari disse...

Gosto desta série, também!

:)

Joao M. Raposo disse...

Concordo.
A ver também "a ponte" versão original dinamarquesa/sueca às quintas no axn

via disse...

tsiwari: Pena ter acabado, penso que esta era a última temporada.

João M. Raposo:Vou ver, acho que fiquei fã de séries dinamarquesas.Thanks

tsiwari disse...

Comecei a prestar atenção à literatura policial nórdica e às séries com a versão televisiva deles da série Millennium - amei! :)

via disse...

não vi a versão televisiva do Millenium, passou na Tv? Só vi o filme.

Joao M. Raposo disse...

Passou talvez AXN, se não me engano em 4 episódios. Também, a ver é Wallander, série meio BBC meio sueca baseada nos livros de Henning Mankell que é sueco e só por curiosidade genro de Ingmar Bergman

Joao M. Raposo disse...

Passou talvez AXN, se não me engano em 4 episódios. Também, a ver é Wallander, série meio BBC meio sueca baseada nos livros de Henning Mankell que é sueco e só por curiosidade genro de Ingmar Bergman

via disse...

João M. Raposo: Obrigada. Vou ver essa, gosto do Mankell.

via disse...

João M. Raposo: Estive à procura do Wallander mas já deve ter acabado.Pena.Obrigada.

Joao M. Raposo disse...

De facto esqueci-me de acrescentar que Wallander tinha acabado. Já o passaram 2 vezes. Como estamos a entrar na época de férias e não é costume a estreia nesta época, é provável que repitam. Se assim for, não perder Killing, Millenium, Bron (a ponte)Wallander com Kenneth Branagh mas todo o cenário é sueco nas zonas descritas nos livros.
Com um interesse menor há uma série dinamarquesa "brigada anti vicio" com uma abordagem diferente do habitual embora se rendam a pormenores de realização à americana. Algumas destas séries podem passar no AXN black ou Withe.