sexta-feira, 10 de fevereiro de 2017

LA LA LAND


Romântico até ao fim. Este é um filme que trata com delicadeza as nossas fantasias. Não nos deixa cair logo, prolonga aquela tristeza melancólica dos sonhos adiados e da realidade a impor-nos ou uma coisa ou outra. Mantém as nossas fantasias a pairar, abrindo sempre uma gavetinha de possível, sem nunca arriscar soluções mais duras ou radicais. Como se o sonho fosse coisa de classe média compatível com filhos rosados e maridos simpáticos. Mas não podemos exigir muito deste cinema que só quer mesmo alimentar sonhos. Mesmo quando descansamos os olhos na penumbra do corredor, depois de 90m de imagens a lutarem para tentar reconstruir a atmosfera um pouco naif dos filmes musicais, vimos a sorrir. Afinal é justo, não se pode ter tudo, alguma coisa tem que ficar para trás. (é comezinho mas apaziguador). Há duas cenas que deveriam ir para o lixo porque estão desajustadas mas a montagem é excelente, a passagem do onírico e fantasioso ao realista está muito bem feita. Há um corte abrupto mas também continuidade semântica, na medida certa  para nos provocar um sentimento nostálgico como Ha! Eu sabia que não duraria para sempre!!
Sou uma romântica que adora histórias de amor. Nas histórias de amor revela-se melhor a personalidade dos actores nas suas cambiantes expressivas, e eu adoro os actores, apesar do Grosling insistir um pouco no estilo blasé à Marlon Brando ( Nunca percebi o que os jovens actores viam no Marlon Brando...), enquanto ela está num registo muito mais histriónico. Por vezes parece um pouco aquele filme de banda desenhada com actores de carne e osso. Ela lembra um pouco a Debora Kerr, é muito expressiva (demais) e tem autenticidade, ele não é nada expressivo, está sempre tristonho, muito preocupado com o interior (o mesmo subtexto de representação que vimos em Marlon Brando e James Dean e que eu pessoalmente detesto - estilo: Estou-me nas tintas para vocês espectadores!!), mas também tem uma certa autenticidade, e assim se dá a sustentação realista - na autenticidade dos actores-. Gostei muito do filme, por causa destas pequenas fragilidades. É um filme tocante. 

2 comentários:

Graça Pires disse...

Quero muito ver o filme.
Uma boa semana.
Beijos.

via disse...

Graça Pires: Vale a pena. Uma boa semana. Bjos