domingo, 26 de abril de 2009

Este 25 de Abril lembrei o meu pai, a espaços, enterneci-me com ele, passeei um pouco pelo Chiado e na Igreja, conversei em silêncio, estava tomada da exaltação de viver momentos exigentes, várias vozes entravam em litígio e umas mais que as outras falavam mais alto. O eco da revolução com a sua poesia, o cravo vermelho no casaco porque ainda assim soprava um vento frio e o Cristo crucificado em dor. Não me posso libertar das minhas prisões, serei sempre uma individualista, o que me levou ao Chiado neste dia não foi a militância da causa porque é nos nossos actos quotidianos que se mantém a luta, foi uma solidariedade amorosa, uma necessidade de estar lá, de acompanhar quem connosco compõe o tracejado do nosso destino. Os meus motivos do coração são sempre individualizados. Sempre assim foi.Tentava encontrar uma harmonia ou uma ideia conciliadora entre esses sentimentos contraditórios, a dor e a alegria do momento. Um Cristo, um cravo vermelho, o incómodo do fecho das calças que não se sustinha, a dor de não poder comemorar com o meu pai, a luz promissora de uma tarde de sábado e a estreia que se adivinhava e na qual não podia falhar. As pequenas coisas debatiam-se tu cá tu lá com as grandes como se no escaninho da nossa alma tudo tivesse igual importância.

4 comentários:

g disse...

É nesse pequeno cofre que tudo guardamos, desconhecendo, até nós próprios, a sua verdadeira dimensão.

Rui disse...

Como se mede a importância das coisas? Têm medida, sequer? Somos nós que as medimos ou, pelo contrário, são as circunstâncias que dão a medida daquilo que somos?

via disse...

g: é verdade, é um esplêndido cofre apesar de muitas vezes ter um código difícil de fixar...

rui: Boas perguntas...medimos nós com a nossa medida e com a dos outros.acho.

Ana Paula disse...

Um magnífico e enriquecedor solilóquiO... :)