quarta-feira, 5 de agosto de 2009

Ao meu amigo Zé

na minha geração há uma série de gente feita em cacos, coladinha com fita adesiva, recoladinha, e de pé, malgré tout! o meu amigo Zé é assim. digo, Zé, tu não ouves ninguém, tu estás a delirar, devias procurar ajuda! a resposta vem, pronta: não mudes de conversa! Continua o solilóquio, o mesmo de há muitos anos, mistura as vivências imensas da cidade, as tertúlias, os amigos, a Arte que fizemos, boa arte, ainda mal sabíamos andar mas não desconhecíamos a boa arte. Agarra-se vorazmente à ideia do passado agora que o presente fede, uma amálgama da fracassos. O Zé é uma enciclopédia viva de uma certa boémia dos anos 80, gente com poucos trocos e muitos sonhos. Tem uma memória elefantina. Digo Zé, vamos beber um café, antes de entrar já ele me descreve a história do café, quando lá estivemos, o que pedimos, com quem estávamos, como se chama ou chamava o empregado. Olho para ele pasmada e na defensiva, não dou o braço a torcer percorro as ruelas da memória e sim, confirmo, mas confesso-te agora Zé, quando lá entrei não me lembrava de nada. É assim o Zé, merda, um grande actor! O actor que já não pode ser porque ninguém lhe dá emprego sem os dentes da frente. Agora não sei bem, como apertar o futuro, está o parafuso lasso, como te vais aguentar? se houvesse neste país quase sem margens um dentista pro buono, até os cigarros, o SG filtro são três euros. Não, pára aí! Vamos lá recomeçar, qual era a data da peça " O amante" do Pinter? Não, não fomos os primeiros a fazer Pinter, mas ninguém o fazia como nós não era? Diz-me, qual o valor da memória? Vá...

5 comentários:

~pi disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
~pi disse...

ai porra,

que nem encontro outra

palavra!

terei lido bem?

quem são as pesssoas [ ? os humanos

deste

lugar aqui

familiarmente conhecido

pelo

poli-s-sílabo

por tu gal


?


desmantelo-me

que não

posso

senão

desmantelar-me!!




~

via disse...

~pi:estes humanos são de sempre e de todo o lado, mas quando próximos tornam-se únicos. bjo

Ana Paula disse...

Um dentista pro buono, isso é que era mesmo bom :))

Belo texto!

via disse...

Ana Paula: os que há nos hospitais tens de esperar um ano, o resto é tudo pago a peso de ouro para quem tem apenas a "Caixa".é duro.