quarta-feira, 16 de setembro de 2009

às três da tarde ouvindo falar sobre Kant


são três horas e está calor dentro do anfiteatro, as portas em linha com a secretária e o ecrã onde se sentam os conferencistas abrem e fecham num vaivém de gente a sair e a entrar. Pausadamente o orador brasileiro cita Kant para provar que, contrariamente ao esperado e amplamente divulgado, a teoria do direito não defende sempre a proporção entre a sanção e o crime. é comum pensar-se Kant como defensor da pena de morte e é correcto visto que considera a indulgência uma forma de confusão entre o domínio público e o privado. A lei pública deve respeitar o princípio de Talião:para o assassino que mata a pena deve ser a morte. Havia, todavia um reparo a fazer, se a Constituição que dita os princípios da legalidade social não for de modo a permitir a liberdade então a punição não pode ter legitimidade. Só se pode castigar aquele que livremente violou a lei, quando a lei é conforme à igualdade e liberdade de cada um enquanto pessoa, se não o fizer, então a punição não restaura o equilíbrio social mas, por não ser a ele conforme, dá direito à revolta e à desobediência. As portas não cessam de abrir e fechar. No anfiteatro oscilam as presenças, há quem entre, sente-se 5m e volte a sair. Estão cerca de dez pessoas numa sala com capacidade para cem. Dirão depois que a culpa é do governo que devia ter instalado um barzito na sala, para as necessidades gastronómicas dos ouvintes. Kant com a mania do progresso e do Iluminismo não percebe nada de bárbaros porque não vem mal nenhum ao mundo substituir a liberdade e o respeito pela alarvisse e pela ignorância.

5 comentários:

Ana Paula disse...

Ohhh, lamento mesmo não ter sabido. Interessava-me deveras.

A tua descrição deixou-me desolada.

Como é possível a alarvisse ganhar tanto terreno neste mundo?!!

Gostei do teu texto, grande crítica!

~pi disse...

agora andamos pelo avesso,
e o medo o medo o medo

nas suas múltiplas representações
conscientes ou não

semeou-se em nós, cres-ceu, e
adiou sem prazo os últimos resquícios de... humanidade

[ ? como planta perene





~

via disse...

Ana Paula:Pelos vistos não foi muito divulgado, é pena, foi interessante apesar das correntes de ar provocadas pelos movimentos de entra sai!)Será que os professores já nem têm tempo para actualizar conhecimentos?

~pi: não me parece que tenha a ver com medo, é mais falta de concentração ou infecção urinária generalizada! ehehe

sem-se-ver disse...

belíssimo texto

via disse...

sem-se-ver:Obrigada!