

Vi-o na Cinemateca, e acordo para os seus frescos realistas e dramáticos. Certos planos lembram os quadros de Courbet ou Millet, os camponeses, e a sua dignidade inibida e, ao mesmo tempo, a sua tristeza e exuberância. Pegados aos ciclos da lavoura e da terra, como animais verticais, entre o céu castigador e os milagres redentores. De outro modo, ainda assim muito presente, os quadros de Caravaggio, os encontros do povo com a arte e um Jesus sofrido e familiar, as sombras e a luz crua e intemporal, como se, apanhada no ciclo inesgotável das coisas, se pudesse representar a condição humana crédula e vulnerável.
A narrativa oscila entre o ficcional e o documental. Há um elemento ficcional narrativo que tende para um fim dramático, aglutinador,mas não se deixa tomar por ele, abrindo o olhar à liberdade de ver a variedade de pequenas histórias que são os acontecimentos da vida quotidiana, com grandeza e mesquinhez, sem que uma e outra possam ser separadas pois são elas mesmo parte da luta pela sobrevivência.
Depois de ver o filme, percebo o impacto que teve no pós 25 de Abril e acredito na força da Arte, na capacidade de nos encantar e de destruir estereotipos, de permanecer testemunhando as injustiças brutais a que a história responde sempre, também, de forma brutal.
Depois de ver o filme, percebo o impacto que teve no pós 25 de Abril e acredito na força da Arte, na capacidade de nos encantar e de destruir estereotipos, de permanecer testemunhando as injustiças brutais a que a história responde sempre, também, de forma brutal.
7 comentários:
Fiquei literalmente a salivar...
:)
A tua descrição é de uma tão grande riqueza que é difícil reagir-lhe sem que as ideias se atropelem. Não sei se me centre na dimensão sensorial, se me detenha na essência humana ou na reflexão histórica. O melhor é não contaminar nenhuma delas com sobreposições subjectivas. Está perfeito assim: tal qual o escreveste.
ss: aproveita, quando puderes, é imperdível.
R: Obrigada, recomendo o filme,é inspirador.
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