quinta-feira, 8 de julho de 2010



Soneto de Fidelidade

De tudo ao meu amor serei atento
Antes, e com tal zelo, e sempre, e tanto
Que mesmo em face do maior encanto
Dele se encante mais meu pensamento.

Quero vivê-lo em cada vão momento
E em seu louvor hei de espalhar meu canto
E rir meu riso e derramar meu pranto
Ao seu pesar ou seu contentamento

E assim, quando mais tarde me procure
Quem sabe a morte, angústia de quem vive
Quem sabe a solidão, fim de quem ama

Eu possa me dizer do amor (que tive):
Que não seja imortal, posto que é chama
Mas que seja infinito enquanto dure
Vinicius de Moraes

7 comentários:

JPD disse...

Uma delícia.

Lindo, lindo!

Bjs

R. disse...

É um post "perfeito". Das fotografias mais bonitas que já vi e das palavras mais belas que já li.
Supremo!
Que tenhas um fim-de-semana paralelo :)

Cassandra disse...

Beautiful. Voltarei em breve.

via disse...

JPD: Ah pois é! bjos

R: Fim de semana paralelo? então nunca encontra o tal de "perfeito"! Obrigadinha! Ao Vinicius! Maravilhoso!

Cassandra: Pois volta. cá estaremos.

Rosa dos Ventos disse...

Também o reli entre muitos outros poemas de Vinicius...
Ele sabia como ninguém tocar em todos os pontos do coração dos homens!

Abraço

R. disse...

;) "paralelo" no sentido de "simétrico", "idêntico". Era esse o sentido. Fica o esclarecimento, como por aqui ouvi dizer, desta "língua de trapos" :)

via disse...

Rosa dos ventos:às vezes pensamos que por serem músicos não são grandes poetas mas não é verdade.abraço

R: paralelo tem esses dois sentidos,parecem antagónicos. se dissermos "tiveram percursos paralelos" ganha o sentido de idêntico, na mesma direcção, mas se dissermos: que duas coisas juntas têm vidas paralelas, por exemplo os elementos de um casal, queremos dizer que nunca se encontraram. a língua tem estas armadilhas.eu percebi... a tua intenção.