quarta-feira, 29 de setembro de 2010

outra banda

não sei como é o mundo, não sei tal como ele é, não adianta reconhecer os rumores e afastar-me das listas de palavras que perdem a magia, procurar as que ressuscitam as pedras, as que nunca ouvimos porque não se dizem. não há ouvidos ou cansaram, desbotaram, também não sei como vim aqui parar, há a estranheza dos números no mundo pequenino, 24.000 milhões. déficit. salário. recordo o autocarro que me levava às 6 horas da manhã de Benfica para o barco do Barreiro, o sol nascente reflectido nas torres das Amoreiras, discutíamos se eram belas ou inúteis as torres das Amoreiras, enternecia-me a lancheira dos operários que se sentavam ao meu lado no autocarro. o salário existia, a crise era um rancho de pássaros. era. não acredito que essa qualquer coisa que neste momento ganha, possa ganhar de facto. essa qualquer coisa que insiste em cair. essa que fala sem se calar. tenho saudade de um barco, da proa de um barco fendendo as ondas, acredito na boa vontade.é pueril. sei. as virtudes não se apagam pela opacidade do presente, no esgravatar oficioso, somos todos operários.ponto. não somos funcionários.
Imagem: "Operários" de Tarsila do Amaral

4 comentários:

R. disse...

Isso mesmo. Somos todos operários, todos construtores. Também somos todos observadores. Resta-nos decidir se 'participantes' ou 'não-participantes'...

(PS: Tarsila sempre! Adoro-a!)

kaku disse...

Esta ilustração é mesmo muito elucidativa para o dia depois dpo politico de ontem hoje...

via disse...

R: há uma diferença entre o funcionário e o operário. fazer, produzir e não repetir, imitar, seguir. Tarsila, disse-me ao ouvido, ainda agora, que também gosta muito de ti!!eheheh

Kaku: a massa, e no entanto cada um, todos diferentes. bem-vinda!

R. disse...

:))) impossível ler-te e não sorrir! Já agora, se tiveres oportunidade, reafirma-lhe que eu também gosto muito dela!

Um abraço para ambas ;)