segunda-feira, 25 de julho de 2011

terrorista cristão na noruega

Théodore Géricault, A jangada de Medusa


um homem munido de uma espingarda mata 90 pessoas em hora e meia de tiro ao alvo, pessoas que ele nem conhece, que não lhe fizeram mal, pessoas que são filhos e amigos e netos e primos de alguém, pessoas com sonhos e com crenças como ele, pessoas como ele, este homem não tem um pingo de loucura, raiva ou desvario, considera mesmo estar a prestar um serviço ao mundo, restituindo-o à pureza e aos "bons valores", as suas fantasias consideradas verdades. A racionalidade, como projecto, a razão e a justificação existem, os nazis também as tinham, assim como Estaline, os seus actos são ainda mais monstruosos por isso. se a razão é o que há de comum a todos, marca as fronteiras da nossa humanidade, não deixa de ser motivo de perplexidade que seja instrumento do mal absoluto, matar inocentes é injustificável, seja qual for a fantasia que cada um toma por sua verdade. Cada um pode convencer-se do que quiser, e terá a força da sua crença mas não há verdade nisso, porque a verdade resulta de um acto de confronto dessa crença com a realidade fora dela. quanto aos actos que interferem directamente com os outros, temos de lhes perguntar primeiro. O monstruoso destes actos resulta essencialmente deste convencimento de que a nossa crença é superior, sem qualquer razão para o pensar, neste aspecto, na sua origem, está a irracionalidade humana, a separação entre o eu e o resto da humanidade.

3 comentários:

eu disse...

Este quadro na altura questiona muitas das teorias na moda, igualdade, liberdade e fraternidade.Mostra-nos uma luta pela sobrevivência e ancora os aspectos menos positivos do ser humano, canibalismo e egoísmo.

No apogeu de teorias libertárias não foi uma obra pacifica:)

JPD disse...

Aquilo que aconteceu em Oslo é inqualificável.
Parece não haver maneira de prevenir estas ocorrências.
Dramático.
Trágico.
Bjs

via disse...

eu: é verdade, este quadro vai ao arrepio das ideias caras deste tempo, faz-nos remontar à tragédia e ao que de essencial e visceral ali ocorre.

JPD:dramático sim, e pensar que vamos condenar este tarado a 25 anos...mais dramático é.Bjos