quarta-feira, 27 de janeiro de 2010

leia-se

Hoje descobri qualquer coisa importante, tardio, mas perto dos 50 dou por mim a espantar-me, é bonito, é inocente e ternurento. Foi de novo a experiência directa que me tirou as ilusões. Fui visitar as instalações da Leya, a nova mega editora que assimilou a Caminho, a D.Quixote, a Asa e outras mais pequenas. O edifício é branco, rigorosamente rectangular, amplo, clean, corredores dão para portas em vidro onde surgem pessoas ao computador em pequenos aquários oxigenados e secos. a semelhança com um hospital sem doentes é o melhor dos elogíos. Então por ali, enfeitiçada por livros desde cedo, pensei, pensava, a sonhar acordada, que o lugar onde se publicavam os livros era desarrumado, empoeirado, com pilhas de livros por todo o lado e gente a fumar cigarros e a discutir, era assim que o via. o ofício era-me deslumbrante e quis pertencer-lhe de alma e coração. desenterrei esse desejo, pu-lo a voar, minha escola, meus putos, frenesim, gente, descobri assim no meio do refrigério que adoro dar aulas.

6 comentários:

~pi disse...

leia-se de

... descobrir

assim

de repente

como janela-mar

como o sol ser

quente :)





~

CCF disse...

Quanto não valem os lugares iluminados pelo pulsar barulhento da vida :)
~CC~

Rita disse...

Valeu a pena... Vale sempre a pena quando a alma não é pequena. Boa poesia!

JPD disse...

Há uns anos atrás fui a uma livraria, no Rossio, fazer um apanhado de livros que poderia ser úteis para um trabalho.

A inquietação dos empregados era tremenda.
Culpa minha: não informei para que efeito tomava notas.

Hoje há a NET e há a possibilidade de tomar os livros entre mãos e consultá-los, lê-los. Pouco falta para deixar um post-it na página 76 a dizer «Eu vou aqui» e voltar no dia seguinte.

Antes, era quase sacrílégio mexer nos livros.

A maneira de expor as obras também evoluiu.

Penso que ao referires o lugar confuso e não asséptico como te surpreendeu tem a ver com a distinção entre o ponto de venda e o ponto de composição do livro (Ambiente «fabril»)

Evoluiu-se muito.

Leste o último U. Eco, onde ele relata que a grande ansiedade à volta da biblioteca é ela, um dia, vir a incendiar-se e desaparecer?

Eis a boa razão para terem deixado de fumar... Se bem que um incêndio possa atear-se por um "inocente" curto circuito.

Saudações

via disse...

~pi: descobrir o que é evidente para todos, é isso que queres dizer e não deixa de ser elogioso (ehehe)obrigada...

CCF: sem dúvida,

olá rita: pois vale, vale sempre a pena! bem vinda!

JPD: Não li, mas as novas experiências com os textos on line fazem crescer o medo que os livros acabem, mas acho-o infundado,nunca se produziu tanto livro como se produz agora.estamos rodeados de palavras, mas a fábrica foi um pouco decepcionante, ideias romãnticas...

Ana Paula Sena disse...

:))))

Também adoro dar aulas!
Não sei se ia gostar desse ambiente tão "clean". Acho que me ia surpreender como tu. Portanto, vou ficar ainda com os tais ideais românticos...

Beijinhos