domingo, 24 de outubro de 2010

word is out



Word is out é um documentário americano de 1978, o primeiro do género, são 26 testemunhos de pessoas que contam a sua experiência da sexualidade homo numa época em que o assunto era escondido como se não existisse. O que ressalta nestes testemunho é a diversidade de experiências e de atitudes face ao facto incontornável de cada um deles descobrir que amava pessoas do seu sexo. Desde os que se organizaram em sociedades secretas em busca de um pouco de apoio, aos que a viveram silenciosamente tentando apagar a pulsão que sentiam e levando a vida normal, casando e tendo filhos, até à impossibilidade de o fazerem sem o sacrifício de si mesmos e dos outros, aos que se sujeitaram a terríveis tratamentos de choque sem qualquer resultado prático. Todos eles falam com um brilho no olhar, como se todo o sofrimento por que passaram não tivesse alterado um milímetro o gosto de estarem vivos, sem ódio, sem ressentimento. As atitudes são díspares mas têm em comum a inteligência e a compreensão de que não pode haver juízos morais face a factos, claros e inequívocos. O modo como essa verdade se inscreve no seu sorriso de aceitação, demonstra a íncrivel vitalidade das suas convicções e das suas personalidades, a força positiva que emana do seu discurso e da sua postura é absolutamente essencial para desmistificar esse mundo que continua a aparecer-nos distorcido pela escandaleira e pelo voyeurismo social e mediático.

4 comentários:

R. disse...

... e pela ignorância, felizmente em recrudescimento, mais ainda assim em excesso. A convicção e brilho resultarão certamente da genuinidade das palavras e dos sentimentos que se sobrepõem a convenções rígidas e desprovidas de sentido. Provavelmente já o saberás, mas sempre que se aborda este assunto não posso deixar de me lembrar, sempre com igual estranheza também, que apenas em 1990 a OMS retirou a homossexualidade do seu sistema de classificação de doenças mentais, apesar das associações americanas de psicologia e psiquiatria o terem feito na década de 70 (ainda assim, tarde). É um mundo cheio de paradoxos o nosso. De todos os modos, é gratificante perceber que, ainda que a um ritmo nem sempre célere, a intolerância e o preconceito vão dando lugar ao reconhecimento e aceitação da(s) diversidade(s).
Abraço e boa semana!

Cassandra disse...

It's beautiful. E a forma como a latina e a outra miúda dão as mãos é de uma harmonia e paz completamente universal, seja qual o género. It's called love.

JPD disse...

Apesar de as Constituições dos países civilizados consagrarem a livre orientação sexual dos seus cidadão no âmbito das liberdades e garantias individuais, socialmente o percursos que as pessoas que anseiam por ver reconhecida essa liberdade é penosa e demorada.

Há preconceitos e resistências de toda a natureza e de variadíssimos sectores.
Veja-se a resistência e a ira que a legislação sobre os casamentos entre pessoas do mesmo género têm desencadeado.

via disse...

R: Sim, a força dos sentimentos sobrepõe-se à rigidez, cegueira e violência do status. Nem sempre assim foi.muitos morreram infelizes sem perceber bem de quem era a culpa, de tal modo a interiorizaram. apesar dos anos 70 para alguns terem sido fracos, não haja dúvida que nesta época novas atitudes se tornaram visíveis e incontornáveis.
Abraço, Bom fim-de-semana


Cassandra: é amor, absolutamente, e não tem ponta de pieguice, é da natureza das coisas. de algumas coisas. e ilumina muitas das nossas dúvidas.

JPD: é verdade, apesar da lei, muitos são aqueles que continuam a reagir com violência, não se percebe porquê se nada os ameaça.