sábado, 12 de fevereiro de 2011

ando às voltas sobre escrever. ando sempre ou amiúde às voltas sobre escrever. por razões diferentes. penso na praça vazia de ontem à noite e no arrebique da ruína do prédio, e outras praças querem ganhar a supremacia sobre os mais íntimos e inconfessáveis pensamentos. compreendo que nem tudo se deseja dizer, ou melhor há vários níveis, digladiando-se. Desejos silenciosos e desejos ruidosos. A praça Tahrir. É remota no sentimento mas imperiosa. Interessa-me a Praça Tahir. Terrivelmente nobre é o mundo árabe. Jovem também. Clamoroso. mas de novo a ruína do prédio, a mulher caída sem vida no chão do seu apartamento da Rinchoa. doce foi dançar contigo naquela loja. a impossibilidade de ser livre. de não sofrer. O pensamento evoca, sucedâneos, uma engrenagem complicada de sentimentos. sírios cegos ou ardendo, são todos convocados, sem contudo, ninguém os convocar.

4 comentários:

jp disse...

Terrivelmente nobre.Sabe bem ter uma praça da libertação. Eu gostava que voltássemos à nossa praça do rossio, como no tempo em que nos juntávamos para falar,só por que sim. E até podia ser que se falasse da solidão - e das velhinhas das rinchoas.

via disse...

jp: também temos as nossas praças, o Rossio é certamente a mais nobre e a mais grata na memória. mas estamos um bocadinho encolhidos,estas lutas agora já não nos pertencem, por enquanto.

R. disse...

ao poder da leitura acrescente-se o poder da escrita e estão reunidos os veículos por excelência de transmissão do pensamento, essa fonte inesgotável e 'sucedânea' de ideias e emoções. É claro que também há a linguagem falada, mas dificilmente tem o mesmo alcance. É mais limitada, mais vulnerável, irreversível, efémera, e muito sujeita a 'ruídos' vários. Por isso, querida via, se te apetece escrever, escreve, que nós cá estaremos para te continuar a ler com todo o gosto.

Abraço :)

via disse...

R: Bem, disseste tudo, nada a acrescentar, muito boa noite.abraço