quarta-feira, 2 de novembro de 2011

devoções

Podíamos ser devotos de Jesus Cristo ou da Virgem Maria, normal, são figuras culturalmente sagradas, mas também podemos ser devotos de um tom de cabelo, de um certo odor, de uma expressão, de um movimento. A sacralidade está na submissão do sentir áquilo que pela sua beleza é de outro mundo, julgamos nós, quando sentimos ser desmesuradamente completo, absoluto em si, o seu aparecer ou ser; paradoxal é descobrirmos nessa submissão uma forma insuspeita de liberdade, a liberdade de sentir e nomear sem medo dos territórios fechados onde a vivência do sagrado nos é consentida. São, por isso, permitidas todas as ficções e até imensamente desejáveis se por elas reescrevermos o mapa das nossas pequenas e insignificantes relíquias. Podemos usá-lo para descobrir a direcção, o nosso mapa do tesouro, mas teremos de guardar para nós o mecanismo da sua descoberta.

3 comentários:

JPD disse...

Haverá sempre algo de mais elevado que nos poderá servir de referência para um quotidiano que se veja livre de futilidades e ambicione a tal Elevação.
Mas, livre de submissões.
Bjs

g disse...

Quanto mais intimo...mais sagrado, a fé essa, é um mistério que cada um gere a seu modo, por mim vou nesse conjunto de substantivos que tão bem descreves.

bjs e bfs (vai haver bolo mármore?)

via disse...

JPD: submissão, mais estar sujeito a, ser apanhado por, sentir-se pequeno face a...tem o seu reverso como escrevi.bjo

g: não, este fim de semana não houve...essa relação entre íntimo e sagrado é inspiradora.