quarta-feira, 14 de abril de 2010

confiança

a minha sobrinha anda confusa, no alto das suas Flys, das suas esguias pernas, dos seus magros dezasseis anos, procura, entristece, sacode a longa cabeleira. sofro horrores por ela, sinto-me mosca sem asa porque não sei como lhe dar alguma luz e alguma tranquilidade. trata-se do reino mais lodoso e espinhoso: o reino dos afectos. todos sabemos que não há como evitar sofrer, temos mesmo que sofrer para aprender, e cada um vai aprendendo assim, mais ou menos, porque também podemos aprender nada, seja como for, depois de mastigar inúmeros pensamentos com palavras, (queria resumir numa frase tudo o que aprendi sobre isso, sem temor, desassombrada) só me ocorreu dizer-lhe: Digno do nosso afecto é aquele ou aquela em quem confiamos. repeti o conceito.confiança. não há fórmulas mágicas e neste subúrbio emocional o que menos interessa são palavras, bolas, é impossível dizer tudo o que aprendi numa frase, mas pareceu-me a mais certa, oxalá te possa servir.
quadro: Aleksandra Nowak, girl in black

7 comentários:

Apple disse...

Vou guardar para mim.
O nosso afecto é uma preciosidade, delicado e frágil, porque é sempre uma dádiva de pureza e vida, a nossa pureza, a nossa vida. Quantas vezes o oferecemos sem que o outro se mostre digno dessa dádiva?(pergunta retórica, naturalmente...)
Usar a confiança como o peso da balança dos afectos parece-me realmente adequado. É um tipo de medida útil em qualquer relacionamento e válido para dar o nosso afecto e para receber o dos outros.
Desculpa a longa reflexão, mas gostei muito do teu texto, faz-me pensar.

bjs

R. disse...

Via, apesar de ignorar os detalhes, acrescentaria apenas mais uma ideia: ainda que a confiança em alguns seja abalada, há sempre aqueles cujo porto seguro é inquebrantável. E poder recorrer a eles, nem que seja para partilhar o silêncio (e é muito), é meio caminho andado para recuperar a "luz e a tranquilidade". Bem hajas por isso e, estou certa, a tua sobrinha o compreenderá também.

Rui disse...

confiança em si, também ajuda


isto com livro de instruções era mais fácil, mas não sei se melhor

Ana Paula Sena disse...

Confiança, sim, é preciso dar ênfase a esse aspecto.Mas, como tão bem assinalas, é difícil traduzir em palavras o tanto que aprendemos :)

A tua sobrinha, estou certa, sente-se muito mais segura contigo ao lado, sobretudo quando lhe falas de confiança. Há momentos nos quais só a presença ajuda, ou é mesmo o que ajuda mais.

Também eu sem palavras.

Um beijinho à tia tão amiga :)

J. disse...

Adorei a pintura. E concordo com você: confiança é mesmo tudo. Eu tenho dificuldade de confiar. Uma pena...

Beijos.

via disse...

Apple: sim, essa pergunta é retórica, não podemos evitar as desilusões mas podemos colocar o coração no sítio certo para ele não se desiludir tanto.bjo

R: o porto de abrigo, quando salta a tempestade no mar!Bom fim-de-semana!(e faço figas pelo sol)

R: pois, perdia-se a essência da coisa e esta atenção na passagem de testemunho.


Ana Paula Sena: a presença não é substituível por nada.ela é que faz toda a diferença. concordo.

j: também. mas é possivelmente aqueles em quem não confiamos não dão provas suficientes.

via disse...

J: errata- possivelmente porque aqueles em que não confiamos não nos dão provas suficientes.