quinta-feira, 12 de março de 2009

A lua, a doce lua, a hipnotizadora, a exigente, a eterna e constante lua. quando assim nasce lenta, luminosa e lenta com suas curvas de lua cheia sobre o casario anónimo, abre a parte sensível da alma, esse lugarzinho apertado que quer ser infinito, porção de nós que já de nós quer sair para ser nas coisas, naquelas que tremem e lampejam e seduzem. Luz nas trevas assim são algumas noites e são mais que as palavras dizem, pois se nós as procuramos para se fazerem, também elas, luz. As pessoas com seus casacos invernais demoram na entrada e saída das casas a respirar, antes dos muros lhes cortarem a visão. em noites assim é preciso deixar vaguear os passos e nada compreender, deixar-se ir numa impressão e não voltar senão quando o corpo de cansaço ou a circunstância do trabalho nos martelar com seus ferrinhos de coisa ferrosa e persistente. porque aí noite, onde estás, haverá sempre uma parte de nós que fica, de casaco meio desfeito, nas dobras da noite que ficou.

4 comentários:

Cassandra disse...

Uma lua dessas pede apenas um comentário:

auuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuu!

comsentido disse...

a lua é um poderoso símbolo da noite. quem gosta da noite, invariavelmente gosta dela. é o meu caso. tudo o resto é paisagem.texto mto interessante para quem de certeza adora a noite. até

via disse...

cassandra: é a noite dos lobisomens! ehe

comsentido: gosto da noite mas também do dia, mas esta lua estava assim exaltada e contemplativa, só podia!

Ana Paula disse...

É verdade, a lua tem estado magnífica! Também tenho reparado. E o teu texto diz bem das sensações únicas que nos proporciona :)

Um bj